Mãos brancas empunhando armas. Mãos perversas e pensamentos inescrupulosos. Arrancaram a ferro e fogo os filhos dos braços de uma mãe. Chorou a mãe África e de suas lágrimas surgiriam filhos guerreiros e cultura diversificada que foi imitada por vários povos. O sofrimento ainda é sem fim. Viagem trágica, contra a vontade de quem corria livre nas estepes com os antílopes! O banzo era o sentimento do filho órfão nos porões da crueldade sem fim! A chegada a um mundo estranho e pálido gerou medo e incerteza. Eles não aceitaram a escravização, mas a opressão e a brutalidade impostas forçosamente não lhes deixaram outra escolha. O choro enraivecido e o coração humilhado. O suor e o sangue caíam sob várias chicotadas....o açoite era o atestado da imensa covardia! Mas o coração guerreiro não aceitava o jugo! Houve a fuga. Ouviram passos... Era Zumbi em meio ao matagal cerrado correndo descalço e ofegante! Negros fugidos fundaram aldeias. Apesar da resistência muitos foram destruídos junto com seus lares. Mas não conseguiram destruir o seu legado cultural! Com todos os revezes da vida ainda tinham tempo de expressar a sua cultura desde o canto melancólico ao lembrar-se de sua pátria mãe, passando pelos rituais e culminando nas músicas e danças alegres que emanassem do ambiente lúgubre do interior da senzala. A cultura africana buscava expansão. Vieram as Leis e a felicidade foi geral!! E o futuro??? Mesmo sem o chicote e o tronco extintos aparentemente, ficaram as cicatrizes registradas para posteridade e mesmo assim prevaleceu um ranço maligno carregado de preconceitos diversos, faltas de oportunidade e reconhecimento pelo trabalho que gerou o progresso que sustenta até o hoje a nação. Quando observamos a segregação racial, as favelas, as discriminações em suas várias formas e situações concluímos que a escravidão ainda impera e, toda escravidão só será banida com a conscientização do valor interior de cada um. A nossa indolência interior permite a escravização! A luta continua! A mãe África empobrecida e usurpada vê com orgulho seus filhos que resistiram e mesmo ferida faz uma prece por todos que acreditam no sonho de liberdade. Não permitamos que as pessoas sejam avaliadas pela cor da pele e sim, devido as suas capacidades e qualidades que precisam ser desenvolvidas. A consciência negra é muito mais do que uma estampa de “100% negro” na frente da camisa, de danças que chamam atenção e não expressa protesto a conjuntura atual ou de qualquer tipo de corte cabelo inventado pelos ditames da moda! O valor do negro é o valor do ser humano livre.
Jucênio Cordeiro



