quinta-feira, 28 de julho de 2011

Avó é mãe duas vezes!

As marcas do tempo na pele. O sorriso meigo que é raro em muitas pessoas, nela transborda! Muito carinho acompanhado de um docinho caseiro! Muitas histórias para contar; uma para cada dia sem repetir. Avó é mãe duas vezes! Ela cuidou, ensinou e conduziu os nossos pais ao longo de suas vidas. Um chazinho para gripe: sabedoria que exala orienta e adverte sobre o nosso modo incauto de lhe dar com a saúde.  A imagem de senhora nos convida a ter sempre uma aproximação respeitosa por ela. Quando ela fala, inconscientemente, nos tornamos audíveis e deixamos aos poucos nos envolver pela sua palavra, pois, a voz da experiência não deve ser ignorada jamais. Por outro lado, muitas delas vão parar em asilos e apesar de muito cuidado faltam o calor e o carinho dos parentes, principalmente dos netos. As avós gostam de agradar e sentem se felizes com o simples fato de participarem da vida dos netos. São duas etapas da vida que se encontram; pólos opostos que se unem num amor sincero! Quando não encontramos tempo para conversar com ela perdemos a chance de colher da fonte da juventude fatos acontecidos, mas que ficaram registrados em suas vivências, havendo com isso uma necessidade imensa de serem retransmitidos: estórias, casos, glórias, decepções, traquinagens e principalmente sonhos. Muitos devaneios realizados ou não que remetem a uma época muito diferente da nossa precisando, com certeza, serem compartilhados com alguém e, esse alguém são os netos, pois, este em sua candura tem todo o tempo e paciência do mundo. São atentos a cada palavra e suas perguntas mostram o quanto estão realmente interessados pelo assunto. Eles não ouvem e apenas balançam a cabeça; eles se envolvem nos fatos narrados e interagem como se fossem os personagens do ocorrido. Com a vovó passamos a ver o mundo por outro ângulo: nem tão inocente que não possamos ver que o ser humano também causa danos a si e ao ambiente circunvizinho e,  nem tão cru que não possamos acreditar que existem pessoas de bom coração que ajudam a purificar nossos caminhos em meio a esta confusão hodierna. Da sua cadeira postada à frente de uma varanda ela contempla o mundo sob uma ótica diferente: vêem as vovós modernas muitas delas antes dos trinta anos conduzindo os netos igualmente modernos cercados de muitos caprichos. Observa o desinteresse de muitos pelas estórias e sente o vazio que é aguardar em vão por um abraço ou beijo dos netinhos. Com tudo isso a visão cansada e os cabelos brancos parecem lhe ser gratificante quando eles aparecem e dizem: “Vó conta a estória de João e Maria ou a do pé de feijão!’’ Um brilho salta aos olhos e a alegria incontida das crianças é a recompensa que o tempo lhe reservou para ser posteriormente desfrutada.

Jucênio Cordeiro

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