sexta-feira, 22 de julho de 2011

Tudo que vai

É como as águas do rio que passou. Parecido também com a bolha de sabão levada pelo vento. Colorida bolha que some no ar! Assim são alguns acontecimentos de nossas vidas. A chance perdida traz consigo uma terrível sensação de perda. A palavra cordial que deixamos de pronunciar por causa de nossas imperfeições gera descontentamento em nosso íntimo. Deixamos passar as oportunidades da vida por causa da forma de viver hesitante e confusa. O que não realizamos hoje, talvez, não consigamos concretizar no dia seguinte. Crianças vão às escolas. Aposentados conversam na praça. Segue a  passeata sonora e embravecida que reclama os seus direitos. As ruas da cidade parecem verdadeiros “formigueiros” e no vai e vem das pessoas fica o rastro inquieto e apressado da multidão. O trem vai lotado e na inóspita paisagem suburbana garotos empinam pipas sob um sol escaldante. A metrópole atravancada pelo imenso congestionamento de veículos torna insalubre e estressante a longa viagem e a  cada parada de ponto de ônibus ou no semáforo, agoniza passageiros à flor da pele! A viagem segue e tentamos entender o sorriso no rosto do vendedor ambulante que faz malabarismos sem perder o senso de humor pra vender seus produtos. Talvez se parássemos um minuto que fosse para refletir sobre o que deixamos para trás por mero comodismo, com certeza, ficaríamos até envergonhados. O dia, o mês e o ano...vão!  O que esperamos dos outros na realidade nem nós mesmos conseguimos efetivar! Da janela vemos, animais tão distantes que parecem pequenos pontos. Outdoors anunciam um mundo melhor! O vento leva consigo folhas secas e poeira para bem longe.  O dia vai. O mês vai e o ano... Também. Mal vivemos e...já foi. Será que teremos tempo para desculpar a ofensa feita? Será que teremos tempo para dizer o que queríamos  a alguém especial?  A brevidade do nosso viver parece iminente a cada segundo que respiramos! As nossas migalhas desperdiçadas alegram alguém que passou depois. O avião solitário vai além das nuvens como se flutuasse na imensidão anil e infinita. Os pescadores em sua jangada somem em alto mar sem se preocupar com a volta. Jovens incautos se divertem sem se importar com o que vem pela frente.  O amor partiu dentro de uma caixa de bombons! Nossos momentos de paz são preciosos. O que vai torna-se útil, pois, deixa marcado em nós lembranças que muitas vezes gostaríamos de não ter ou simplesmente que fazemos questão de não esquecer, gerando uma doce nostalgia e,  nisso é formada a nossa experiência que fortifica a  nossa vivência.

Jucênio Cordeiro

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