Todo dia, em silêncio, plantava algumas sementes; Suas mãos enrugadas carinhosamente cobriam de terra o desnudo gérmen; regava com paciência e dedicação o local. Seu coração alegrava-se ao ver os primeiros brotos que iam surgindo. Envolto em pensamentos ele imaginava o seu mundo só de flores e bastante perfumado. Espinhos quase nenhum! Amava os animais e considerava a água e o ar como elementos sagrados! A cada flor singela que desabrochava, recordava a época da tranqüilidade sentado em frente da varanda contemplando o luar e as estrelas que lhes acenavam a milhões de anos luz dali. Via crianças verdadeiramente infantis e adolescentes que embora traquinos fossem respeitadores e esforçados. A velhice, em seu mundo, era motivo para reverência e consideração e as pessoas eram mais altruístas e dedicadas. O respeito às pessoas era lei que nunca se desacatava! Entretanto este mundo sentido por ele não se concretizava por que a maioria das pessoas deixou que o egoísmo, a vaidade, a ganância e a falta de amor ao próximo entre outros se alastrasse como a erva daninha que envolve, sufoca e mata qualquer planta antes do seu completo desenvolver! O que se semeia com certeza será colhido, independentemente do tipo da semeadura! Ele ponderava como as pessoas prefeririam, mas as ervas perniciosas a singelas flores. A mentira ficou arraigada nos seres humanos como se fosse parte inerente de seu interior. A paz virou motivo de chacota entre os maus querentes! Crianças aprendem desde cedo a não repartir e não ser cordial. As pessoas andam a flor da pele e consideram-se sempre desfavorecidas independentemente da situação que se encontrem. Disputam até o que não lhes pertence! Buscam até a exaustão prazeres que os soterrarão num futuro não muito distante. As ruas da infância não têm mais os vendedores de doces! Onde estão os velhos que alimentavam os pombos na praça? Onde estão os jovens que nutriam sonhos? Seu olhar confiante contempla o por do sol como se fosse o raiar do dia que anuncia alvissareiras promessas de um futuro de paz! Continuava fazendo a sua parte plantando e cuidando afavelmente das sementinhas da paz. Passava para as pessoas o seu jeito de ver o mundo sem se importar com o quadro confuso que impera atualmente. Tinha plena certeza de que a paz não brota da malquerença e muito menos da falta de vontade em querer mudar algumas situações simples. Não se cultiva a paz com o uso irracional da força brutal nem com belas, ocas e superficiais palavras. Onde existe o diálogo não precisa de “bandeira branca”! A paz imposta com armas e repressão só vale para quem de alguma forma tenta obter vantagens pessoais e não coletivas. Só colhe os frutos da paz quem soube plantá-la e cuidá-la com dedicação fazendo florescer e multiplicar está bem aventurada semeadura.
Jucênio Cordeiro
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