quinta-feira, 14 de junho de 2012

Arrasta pé


Em junho temos praticamente um mês dedicado a festas e muita animação. Neste corrente ano a festa é dedicada ao centenário de Luiz Gonzaga, o Gonzagão e nada melhor do que recordar alguns de seus sucessos, pois, sua música marcou várias gerações ao retratar sempre a saga do povo nordestino na luta constante contra a seca, fome e as exclusões sociais impostas pelos governantes sobre este povo sofrido. Ele conseguia fazer poesia e musicalidade do cotidiano e do sofrimento do homem nordestino e outros temas similares. Fez outras canções em parcerias com outros compositores e poetas e seu ritmo, o baião,  ainda faz as pessoas arrastarem o pé pelo salão e cativa fãs de várias idades. Mesmo com algumas influências estrangeiras em sua origem,  o forró, embala os bailes das festas juninas. Dançado em pares e com muita animação o bate coxas ganhou admiradores e praticantes além das fronteiras nordestinas. Hoje é praticada por vários brasileiros de janeiro a janeiro e não apenas no mês de junho. Inicialmente o som que animava a festa era o conhecido “forró pé de serra” que era executado pelos músicos com sanfona, zabumba e triângulo. No final da década de 1970 a malícia e deboche impregnaram a música simples com com letras de duplo sentido. Entretanto vários forrozeiros tentam manter as origens do forró nordestino buscando sempre fugir das novidades eletrônicas que foram inseridas neste tipo de música para dar um aspecto mais dançante  adotando também letras que não falam da seca nem do agreste, mas sim de amores perdidos e paixões desenfreadas. Nessa “salada musical’ que tenta camuflar o forró o famoso “arrasta pé” foi substituído por outras coreografias ou danças de pares e de salão como a famosa lambada e o novíssimo arrocha. A história do nordestino foi substituída por canções que falam de farras e decepções amorosas. O triângulo, a zabumba e a sanfona disputam um lugar ao sol com   guitarras, baixos e teclados. Os pares de dançarinos  aos poucos vão dando lugar a dançarinas em trajes sumários que executam passos que mais lembram carnaval e  gafieira do que forró propriamente dito. Polêmicas a parte muitas pessoas gostam do novo modelo que paulatinamente vai substituindo o  forrobodó por festas muitas vezes sem pares nem compromisso. A multifacetada cultura brasileira vai aos poucos sendo desintegrada pela   nova forma de ganhar dinheiro com mega shows que alvejam um público cada vez maior e sem cumplicidade com a história do nordestino. A seca e a aridez do sertão entrincheirada pela caatinga esmigalham-se em letras românticas que lamentam um grande amor não correspondido.  Mesmo assim o legado deixado por Gonzagão e outros forrozeiros ainda fazem do interior nordestino um grande salão festas onde o arrasta pé faz a poeira subir e suor correr livre nas frontes marcadas pela resistência do povo brasileiro e em especial do povo nordestino.  Este tipo de dança
Jucênio

Nenhum comentário:

Postar um comentário