Em junho temos praticamente um mês dedicado
a festas e muita animação. Neste corrente ano a festa é dedicada ao centenário
de Luiz Gonzaga, o Gonzagão e nada melhor do que recordar alguns de seus
sucessos, pois, sua música marcou várias gerações ao retratar sempre a saga do povo nordestino na luta constante
contra a seca, fome e as exclusões sociais impostas pelos governantes sobre
este povo sofrido. Ele conseguia fazer poesia e musicalidade do cotidiano e do
sofrimento do homem nordestino e outros temas similares. Fez outras canções em
parcerias com outros compositores e poetas e seu ritmo, o baião, ainda faz as pessoas arrastarem o pé pelo
salão e cativa fãs de várias idades. Mesmo com algumas influências estrangeiras
em sua origem, o forró, embala os bailes
das festas juninas. Dançado em pares e com muita animação o bate coxas ganhou admiradores
e praticantes além das fronteiras nordestinas. Hoje é praticada por vários
brasileiros de janeiro a janeiro e não apenas no mês de junho. Inicialmente o
som que animava a festa era o conhecido “forró pé de serra” que era executado
pelos músicos com sanfona, zabumba e triângulo. No final da década de 1970 a
malícia e deboche impregnaram a música simples com com letras de duplo sentido.
Entretanto vários forrozeiros tentam manter as origens do forró nordestino
buscando sempre fugir das novidades eletrônicas que foram inseridas neste tipo
de música para dar um aspecto mais dançante
adotando também letras que não falam da seca nem do agreste, mas sim de
amores perdidos e paixões desenfreadas. Nessa “salada musical’ que tenta
camuflar o forró o famoso “arrasta pé” foi substituído por outras coreografias
ou danças de pares e de salão como a famosa lambada e o novíssimo arrocha. A
história do nordestino foi substituída por canções que falam de farras e
decepções amorosas. O triângulo, a zabumba e a sanfona disputam um lugar ao sol
com guitarras, baixos e teclados. Os
pares de dançarinos aos poucos vão dando
lugar a dançarinas em trajes sumários que executam passos que mais lembram carnaval
e gafieira do que forró propriamente
dito. Polêmicas a parte muitas pessoas gostam do novo modelo que paulatinamente
vai substituindo o forrobodó por festas muitas
vezes sem pares nem compromisso. A multifacetada cultura brasileira vai aos
poucos sendo desintegrada pela nova
forma de ganhar dinheiro com mega shows que alvejam um público cada vez maior e
sem cumplicidade com a história do nordestino. A seca e a aridez do sertão
entrincheirada pela caatinga esmigalham-se em letras românticas que lamentam um
grande amor não correspondido. Mesmo
assim o legado deixado por Gonzagão e outros forrozeiros ainda fazem do
interior nordestino um grande salão festas onde o arrasta pé faz a poeira subir
e suor correr livre nas frontes marcadas pela resistência do povo brasileiro e
em especial do povo nordestino. Este
tipo de dança

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