quinta-feira, 12 de julho de 2012

Greve histórica


“Kero istudar” assim está pichado em uma encosta do centro da primeira Capital do Brasil e berço de grandes escritores do cenário brasileiro e mundial. Mesmo que não saibamos quem seja  o autor da célebre frase, ela nos leva a pensar sobre as nossas atuais condições de educação. Essa frase também pode ser um protesto pelos mais de noventa dias sem aulas da nossa rede pública  estadual, pois, a falta de aulas faz com que o conhecimento se atrofie. O imbróglio já se arrasta por longos três meses sem que haja uma solução para o impasse. Professores fazem Assembléias, chamam a atenção do povo e dos alunos para apelarem juntos pelo fim da greve. Do outro lado o governo diz que já ofereceu tudo o que estava ao seu alcance. Ministério Público e Tribunal de Justiça tentam a última negociação, mas os professores desta vez permanecem irredutíveis e não cedem nem se intimidam com multas milionárias aplicadas sobre o Sindicato. Enquanto isso os alunos, maiores prejudicados, dividem seu tempo entre o ócio e a reciclagem de assuntos já estudados. Muitos perdem até aquele resto de esperança no sistema educacional que tem como lema garantir o futuro dos estudantes como profissional e cidadão. A celeuma improdutiva entre professores e governo causa retrocesso no desenvolvimento econômico e contribui para o aparecimento de mazelas sociais como: vícios, pobreza,  desemprego etc. Pela mídia em geral  as notícias são passadas sem que haja nenhuma novidade no avanço das negociações. O que dizer deste ano letivo? Quando o mesmo terá fim? Nas contas de quem ainda a sabe fazer, ele já está completamente perdido! Aulas de reposição, provões, aulas aos sábados ou que sabe até aos domingos para repor a perda são algumas especulações em torno de um tema que praticamente envolve o futuro de cada estudante, bem como, da nação como um todo. Essa greve já está sendo considerada como a maior de todas que já houve.  Enquanto isso alguns alunos seguem entediados em seus lares e  outros  apóiam também os professores nesta luta para pressionar o governo do estado e outras autoridades a resolverem o mais rápido possível o problema. Nessa “quebra de braços” entre autoridades e professores vemos que a população só vai sentir os efeitos mais a frente, onde num mundo tão globalizado os que não detêm conhecimentos suficientes são excluídos ou triturados pelo sistema que cada vez mais exige sempre os melhores profissionais, restando para os que são privados de uma educação de qualidade apenas as migalhas que o “capitalismo selvagem” atira para que estes  não morram e sejam sempre  “escravos modernos” de numa atualidade materialista e desumana.
Jucênio

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