quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Para um grande herói!


Desajeitadamente me segura nos braços; olha com carinho para o meu pequeno rosto que fita seguramante o semblante paterno. O protótipo de herói perfeito,  esconde as lágrimas, chora furtivamente. Como presente trouxe-me uma  bola de futebol. É  bom passear  contigo nas manhãs de domingo, pois, me deixa a vontade. Chegamos em casa sadiamente sujos! Uso suas roupas, seus sapatos e sua gravata, pois, desejo ser igual a você! Me pegas no colo e sorri, rodopia e me coloca no chão firme, de repente ouço aquela voz forte e ao mesmo tempo terna dizer: “Tá bom meu guri, mas já é hora do banho!” Meu herói foi ao trabalho e conto as horas para vê-lo chegar. Ansioso,  quero lhe mostrar o desenho que fiz na escola. Ele parece me ignorar e confesso que tenho ciúmes da minha irmãzinha que recebe o carinho  em primeiro lugar junto com mamãe. Ele me olha com ternura, beija a minha testa e diz: E aí filhão, como foi na escola? Era tudo o que eu precisava para mostrar a ele a minha obra de arte. Ele me leva ao estádio e às vezes não  o reconheço, pois, ficas tão nervoso e alegre com o nosso time de coração. Na saída me ensina que perder ou ganhar faz parte da nossa conduta de vida. Alegre sou por ser seu filho! A sociedade machista ainda não conseguiu encobrir o amor paterno! Ao pai coube ensinar  o lado do mundo onde a severidade e a vigilância são virtudes que ajudam a evitar e saber driblar as adversidades que  atravessam de forma impiedosa a nossa caminhada. Jogamos bola juntos e o tempo é o marcador implacável que impõe várias restrições ao seu vigor físico e denuncia através de suas rugas a experiência adquirida. Me espelho em seu exemplo que sempre norteou pelos bons princípios e mesmo sendo humanamente falho procurou ser justo. Às vezes motivado pelo excesso de zelo, desnecessariamente agiu com aspereza. Negou-me os sonhos que ingenuamente tentava realizar sem pensar nas consequências vindouras. Aprendi que um “não” também é positivamente correto. O avanço de nossas idades não conseguiu criar empecilhos nem entraves na nossa amizade, pois, em meus ouvidos ainda ecoa as suas advertências, meus olhos filmaram a nossa trajetória e o amor e carinho que me foi transmitido ficou registrado no meu coração. Todos os que tiveram o privilégio de ser pai, sabem o quanto esse nome responsabiliza o ser humano intimamente a zelar pelas  sementes  que formarão as  gerações futuras.  Meu conselheiro, embora enfraquecido, continua a me alertar dos perigos e indica qual um farol potente a melhor direção para ser seguida.  Quero apenas dizer de forma singela que te amo muito meu pai e independente do dia que lhe foi especialmente dedicado, todos os dias da minha vida você será sempre o meu maior exemplo de responsabilidade, honestidade e alegria de viver.

Feliz Dia dos Pais!

Jucênio

Nenhum comentário:

Postar um comentário