Desajeitadamente
me segura nos braços; olha com carinho para o meu pequeno rosto que fita
seguramante o semblante paterno. O protótipo de herói perfeito, esconde as lágrimas, chora furtivamente. Como
presente trouxe-me uma bola de futebol.
É bom passear contigo nas manhãs de domingo, pois, me deixa
a vontade. Chegamos em casa sadiamente sujos! Uso suas roupas, seus sapatos e
sua gravata, pois, desejo ser igual a você! Me pegas no colo e sorri, rodopia e
me coloca no chão firme, de repente ouço aquela voz forte e ao mesmo tempo
terna dizer: “Tá bom meu guri, mas já é hora do banho!” Meu herói foi ao
trabalho e conto as horas para vê-lo chegar. Ansioso, quero lhe mostrar o desenho que fiz na
escola. Ele parece me ignorar e confesso que tenho ciúmes da minha irmãzinha
que recebe o carinho em primeiro lugar
junto com mamãe. Ele me olha com ternura, beija a minha testa e diz: E aí
filhão, como foi na escola? Era tudo o que eu precisava para mostrar a ele a
minha obra de arte. Ele me leva ao estádio e às vezes não o reconheço, pois, ficas tão nervoso e alegre
com o nosso time de coração. Na saída me ensina que perder ou ganhar faz parte
da nossa conduta de vida. Alegre sou por ser seu filho! A sociedade machista
ainda não conseguiu encobrir o amor paterno! Ao pai coube ensinar o lado do mundo onde a severidade e a
vigilância são virtudes que ajudam a evitar e saber driblar as adversidades
que atravessam de forma impiedosa a
nossa caminhada. Jogamos bola juntos e o tempo é o marcador implacável que
impõe várias restrições ao seu vigor físico e denuncia através de suas rugas a
experiência adquirida. Me espelho em seu exemplo que sempre norteou pelos bons
princípios e mesmo sendo humanamente falho procurou ser justo. Às vezes motivado
pelo excesso de zelo, desnecessariamente agiu com aspereza. Negou-me os sonhos
que ingenuamente tentava realizar sem pensar nas consequências vindouras.
Aprendi que um “não” também é positivamente correto. O avanço de nossas idades
não conseguiu criar empecilhos nem entraves na nossa amizade, pois, em meus
ouvidos ainda ecoa as suas advertências, meus olhos filmaram a nossa trajetória
e o amor e carinho que me foi transmitido ficou registrado no meu coração.
Todos os que tiveram o privilégio de ser pai, sabem o quanto esse nome
responsabiliza o ser humano intimamente a zelar pelas sementes
que formarão as gerações futuras. Meu conselheiro, embora enfraquecido,
continua a me alertar dos perigos e indica qual um farol potente a melhor
direção para ser seguida. Quero apenas
dizer de forma singela que te amo muito meu pai e independente do dia que lhe
foi especialmente dedicado, todos os dias da minha vida você será sempre o meu
maior exemplo de responsabilidade, honestidade e alegria de viver.
Feliz Dia dos
Pais!
Jucênio

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