quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A arte de viver

O artista recebe a inspiração como um presente do altíssimo e aos poucos vai imaginando como fazer para que as pessoas possam usufruir de  forma visível o que lhe foi generosamente ofertado. Assim é a nossa vida: recebemos luz e força para serem aplicadas de forma correta no meio em que vivemos. Como um artista deveríamos diligentemente moldar com os nossos pensamentos a paz, amizade, auxílio e amor ao próximo. Deveriam também ser pintados quadros que estimule cada um a despertar para o que realmente brilha e não para o que ofusca e confunde interiormente. Nossos talentos precisam ser postos em prática e desenvolvidos não importando  a que área pertença. Cada um já nasce com aptidão para uma determinada atividade. Viver deve ser em primeiro lugar uma prece de agradecimento diário pela simples permissão de podermos usufruir do ar, da água e de tudo o mais que de certa forma nos mantém e nos sustenta! Na conduta diária  com os nossos semelhantes às vezes esquecemos que eles também fazem parte do caminho a que temos que percorrer e que nesta vasta escola somos, assim como eles,  meros aprendizes. Buscar o que é certo e afastar o errado é como  separarmos cuidosamente as tintas que serão aplicadas sobre uma tela. Entre cores e traços a obra vai saindo e o impacto a ser causado nas pessoas será tão só fruto de nossa escolha. Como estamos hoje pintando o quadro da natureza? Estamos usando cores vivas ou carvão? O resultado está patente até no ar que respiramos e nas cores mortas que podemos constatar com uma simples caminhada ao amanhecer. A criança nos ensina a não se preocupar em demasia com futilidades. Os idosos contemplam com nostalgia um passado mais colorido do que o presente. A convivência mútua com nossos semelhantes se transformou em uma enorme disputa por tudo  desejado de forma mordaz. Reflitamos mais sobre as cores do arco-íris e prestemos mais atenção com nascer e o pôr-do-sol – pólos opostos que denunciam o quanto desprezamos os parcos minutos de vida que são tão breves como a gota d’ água na areia escaldante. O estresse contemporâneo nos acorrentou e nos cegou de tal forma que parecemos não perceber o colibri, estático no ar a procura do néctar. Nós precisamos provar mais vezes do néctar da vida! Devemos achar mais tempo para desfrutar a vida! As cores que inventamos desbotaram. A mola propulsora da arte de viver é a maneira como amamos e somos amados. Uma palavra amiga soergue até mesmo quem não conhecemos. Um sorriso cordial rasga toda uma rede de maus sentimentos. A compreensão pelo sofrimento alheio, nos desnuda de toda e qualquer arrogância. Caminhar livre é o tesouro que foi soterrado voluntariamente sob o pretexto da busca incessante pelo conforto. Nossa vida hoje é a aquarela que pintamos desde tempos remotos. Viver verdadeiramente é sentir dentro de si a força viva e operante que emana do Criador de tudo o que existe!  

Por: Jucênio

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