O artista recebe a inspiração como
um presente do altíssimo e aos poucos vai imaginando como fazer para que as pessoas
possam usufruir de forma visível o que
lhe foi generosamente ofertado. Assim é a nossa vida: recebemos luz e força
para serem aplicadas de forma correta no meio em que vivemos. Como um artista
deveríamos diligentemente moldar com os nossos pensamentos a paz, amizade,
auxílio e amor ao próximo. Deveriam também ser pintados quadros que estimule cada
um a despertar para o que realmente brilha e não para o que ofusca e confunde
interiormente. Nossos talentos precisam ser postos em prática e desenvolvidos
não importando a que área pertença. Cada
um já nasce com aptidão para uma determinada atividade. Viver deve ser em
primeiro lugar uma prece de agradecimento diário pela simples permissão de
podermos usufruir do ar, da água e de tudo o mais que de certa forma nos mantém
e nos sustenta! Na conduta diária com os
nossos semelhantes às vezes esquecemos que eles também fazem parte do caminho a
que temos que percorrer e que nesta vasta escola somos, assim como eles, meros aprendizes. Buscar o que é certo e afastar
o errado é como separarmos cuidosamente
as tintas que serão aplicadas sobre uma tela. Entre cores e traços a obra vai
saindo e o impacto a ser causado nas pessoas será tão só fruto de nossa
escolha. Como estamos hoje pintando o quadro da natureza? Estamos usando cores
vivas ou carvão? O resultado está patente até no ar que respiramos e nas cores
mortas que podemos constatar com uma simples caminhada ao amanhecer. A criança
nos ensina a não se preocupar em demasia com futilidades. Os idosos contemplam
com nostalgia um passado mais colorido do que o presente. A convivência mútua
com nossos semelhantes se transformou em uma enorme disputa por tudo desejado de forma mordaz. Reflitamos mais
sobre as cores do arco-íris e prestemos mais atenção com nascer e o pôr-do-sol
– pólos opostos que denunciam o quanto desprezamos os parcos minutos de vida
que são tão breves como a gota d’ água na areia escaldante. O estresse
contemporâneo nos acorrentou e nos cegou de tal forma que parecemos não
perceber o colibri, estático no ar a procura do néctar. Nós precisamos provar
mais vezes do néctar da vida! Devemos achar mais tempo para desfrutar a vida!
As cores que inventamos desbotaram. A mola propulsora da arte de viver é a
maneira como amamos e somos amados. Uma palavra amiga soergue até mesmo quem
não conhecemos. Um sorriso cordial rasga toda uma rede de maus sentimentos. A
compreensão pelo sofrimento alheio, nos desnuda de toda e qualquer arrogância.
Caminhar livre é o tesouro que foi soterrado voluntariamente sob o pretexto da
busca incessante pelo conforto. Nossa vida hoje é a aquarela que pintamos desde
tempos remotos. Viver verdadeiramente é sentir dentro de si a força viva e
operante que emana do Criador de tudo o que existe!
Por: Jucênio
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