Falando sério...
A falta de cumprimento
da palavra e o consequente desinteresse pelo compromisso assumido durante as
campanhas tem desgastado a imagem do político ou candidato a uma vaga no
disputadíssimo cenário político brasileiro. Discursos embravecidos, gestos
enérgicos e olhares fixos na multidão; assim são os comícios ou na versão mais
moderna: “showmícios”. Um amontoado de candidatos lutam às vezes até no corpo a
corpo para conseguir persuadir a população de que as suas propostas são as
melhores, mais consistentes e que acabarão de vez com todas as mazelas sociais.
Dizem que temos a memória fraca. Se analisarmos bem esta frase chegaremos a verídica
conclusão de que esquecemos com facilidade assuntos de apenas meses passados,
imaginem dos quatro anos anteriores às eleições. Muitos nem lembram dos
candidatos que votaram neste curto lapso de tempo. Eles ensinaram o povo a
fazer do voto uma “moeda de barganha” pois com ela se conseguirá desde um
objeto sem muito valor até obras públicas realizadas com o próprio dinheiro dos
impostos pagos pelos cidadãos. Todos são candidatos: o político, o empresário,
o funcionário, o aposentado, o
motorista, a modelo, o atleta, o humorista, a repórter, o vendedor, o amigo, o
vizinho, enfim todos querem uma
“vaguinha lá”, pois com certeza é bem mais rápido e fácil realizar os desejos! À
margem disso tudo a população passa sem dar muito crédito a eles mas mesmo
assim não consegue fazer do voto a força que desmantela este sistema repleto em
sua maioria de pessoas alheias ao sofrimento popular. Pela ruas suburbanas,
enlameadas e esburacadas a velha senhora arrependida; reclama. O lixo não é
mais do idoso catador de recicláveis e sim de famílias inteiras a procura por
algo que lhes dêem sustento. As estações de ônibus são depósitos de pessoas
cansadas, impacientes e indignadas. A violência continua aumentando de forma
assustadora e vira uma bola de pingue pongue nas mãos dos governantes. A saúde
não está mais na UTI e sim no necrotério! O abandono é o atestado da
incompetência! As promessas de mudanças são muitas e a população segue,
mansamente, resistindo! Esse descrédito na
política e nos políticos contribuiu para o aparecimento e proliferação dos “pseudoscandidatos”
interessados apenas na promoção pessoal do que inovar e criar leis que
favoreçam os anseios populares. É
difícil acreditar que nesse conglomerado de interesses pessoais existam realmente aqueles que se importam em promover
melhorias na qualidade de vida das pessoas e do lugar onde as mesmas vivem. É
preciso ter consciência do que o voto é
capaz de fazer. Escolher bem os candidatos é como garimpar pacientemente à
procura de uma pedra preciosa. É ter a
consciência que nos próximos quatro anos não reclamaremos da situação. É pensar
em nossos filhos. Por outro lado caso
não saibamos selecionar e utilizemos o voto de forma debochada poderemos passar
os próximos quatro anos sofrendo do mesmo modo e sem sair do lugar! Voto é coisa séria!
Jucênio
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