quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Presidente descalço



      
Talvez seja mais fácil falar de uma pessoa que gostamos apenas enumerando as suas qualidades boas. Quando vamos listar as deficiências às vezes pesamos até mesmo as palavras e desta forma esquecemos-nos das fragilidades que desnudam a nós minúsculos seres humanos. Às vezes o que julgamos como virtudes na verdade são fraquezas enrustidas sorrateiramente por nossas vaidades.  Em 2002 um jovem morador do bairro revolucionou o conceito de organização de um campeonato amador. Formou-se uma equipe que conseguiu sob a sua batuta dar o pontapé inicial desse grande projeto. Boa parte desta equipe, na época, não absorveu de forma eficaz o que seria sustentar este processo revolucionário. Com isso a sua forma de cativar e fazer amizade ficou muitas vezes incompreendidos por pessoas que só se aproximaram para obter algum tipo de vantagem. As sandálias da humildade que deveriam calçar os pés desse Presidente “descalço” foi muitas vezes mal interpretada por pessoas que não almejavam levar a sério o trabalho comunitário e filantrópico. Houve uma cisão e parte desta equipe não continuou a jornada. Formou-se um novo grupo e o incansável Presidente ficou mais a vontade para continuar com esse  trabalho que ganhou um aspecto mais sério e progressista. Com a nova equipe ele foi professor e aluno, mas, os desgastes foram acontecendo sem que as pessoas que sempre elogiaram a sua condução junto ao grupo percebessem que a corda estava sendo roída!  Todos apoiavam o trabalho, mas como acontece até hoje, não defendiam quando ele e sua equipe estavam sendo injustamente atacados. A equipe precisou forçadamente parar por algum tempo. O período de estanque  não serviu para sacudir as pessoas para a importância desse trabalho comunitário. O grupo voltou, se reuniu e aos poucos mudou o caos a que foi entregue a praça esportiva da Treze no período de paralisação. Mesmo sem a presença maciça do Comandante Professor no primeiro ano o grupo mostrou que o que ele ensinou não foi esquecido. Hoje lá está ele colocando a rede, marcando o campo, trocando idéias, observando tudo de forma aguda, questionando e calcando com pés desnudos o chão que tanto lhe serviu de inspiração na sua adolescência. A forma peculiar de falar o identifica rapidamente em uma conversa. É o primeiro que chega ao campo e incansável começa o seu trabalho. Os outros integrantes chegam e embora cada um tenha a sua tarefa predefinida dialogam com ele sobre uma forma mais adequada de realizar determinada função. É unanimidade dentro do grupo o prazer e a alegria de tê-lo como amigo e líder. Fora do grupo é uma pessoa com outra qualquer que luta com afinco no dia a dia e busca ser feliz fazendo sempre o que realmente sente prazer em realizar. Parabéns Wellington Barão pelos dez anos de trabalho e dedicação à  frente da LESA sempre  com os pés no chão.
Jucênio

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