sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Que loucura é essa!

Olhos esbugalhados, respiração presa, o corpo parece ir junto...de repente o grito...a alegria. Sem perceber abraçamos quem vier pela frente. Vibramos e cantamos. Que loucura é essa que nos deixa por instantes longe do mundo real. Ensandecidos atingimos os limites da razão.  Dedos cruzados e rezas! Mãos para o ar, punhos fechados! Gritos de guerra; de alívio, de “olé”! Ondas humanas que se agitam de um lado para o outro comemorando quando aquele pequeno objeto esférico toca as redes. Agito geral! Xingamentos que até nós mesmos duvidamos do que estamos pronunciando de forma tão mordaz. Ensaiamos as jogadas e em vão  denunciamos onde está o adversário livre e perigosamente ameaçador da nossa meta. Não concordamos com as atitudes do detentor das regras e do comandante geral da equipe então lançamos corrosivamente termos pejorativos como “ladrão” e “burro” para mostrar a nossa instisfação com as resoluções decididas por ambos. Bebemos e comemos muitas vezes de forma sôfrega o que levamos a boca. Adrenalina, adrenalina é só o  que corre nas veias. Silêncio, respiração ofegante, olhos atentos e...grito de alívio! Tudo isso por causa de um simples chute na “gorduchinha” que estava sob a marca do cal e a mesma balançou a rede adversária! Dança  e grito de guerra ecoa pelo local que acomoda tão imensa massa humana. Colorido, fumaça, bandeiras e muito barulho.  De repente um misterioso silêncio... O adversário está indo para o ataque e os gritos de alegria instantaneamente se transformam em vaias. Os defensores combatem e novamente volta o brado de felicidade que aquele simples objeto esférico causou outrora quando ultrapassou a linha do alvo  oponente. Onde estamos com a cabeça! Esquecemos por intermináveis  segundos até de quem gostamos de verdade. Uma estranha amnésia nos invade e perdemos o contato com tudo o que antes nos afligia e incomodava. Um estado de torpor nos ilude e nos alegra neste recinto cercado por  tantas pessoas estranhas, mas que simultaneamente se assemelham aos nossos gostos e preferências. O ponteiro do relógio é implacável e os segundos parecem levar um século pra atingir um minuto. Enfrentamos chuva, sol, geada, garoa, ar seco e luar, pois,  tudo parece lucro.  Daqui a alguns minutos a noite vai virar dia e aos empurrões vamos deixando aquele lugar que foi palco da nossa alegria. Lá ficaram registrados pequenos fragmentos da nossa paixão: risos, xingamentos, incentivos, estratégias e uma doce, porém efêmera, sensação de felicidade. Os momentos marcantes desta noite(quase dia)  não esqueceremos tão rápido. Hoje valeu a pena; amanhã não o saberemos. Entre vitórias, resultados iguais ou derrotas descobrimos que somos loucos e apaixonados por este lugar onde sentados ou de pé lançamos indistintamente as nossas alegrias  e as nossas mágoas.   Aqui temos o bálsamo provisório dos nossos sofrimentos e a ilusão de termos saindo ganhando com um divertimento tão volátil como as névoas diante dos refletores. Só quem sentiu de perto o calor de uma torcida sabe o quanto representa a paixão por este esporte disputado por alguns guerreiros que se digladiam atrás deste perseguido objeto em forma esférica que vai de um lado para o outro  acompanhado atentamente de longe por  um bando de loucos uniformizados e sem o mínimo compromisso com o mundo real.

Jucênio

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