quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Nos braços do povo!



Festa no subúrbio! Muitas bandeiras. Carros buzinam ininterruptamente.  A população se agita e apreensiva aguarda a chegada daquele que pode representar a solução de todos os problemas do tão esquecido local onde habitam. Ele chega! Euforia total...Nos braços do povo ele está! Ovacionado por populares ele abraça, aperta a mão, distribui simpatia, carrega os pequenos, ingênuos e maltrapilhos filhos do subúrbio. De repente ele começa a expor os seus planos de melhorias para aquele lugar que hoje faz festa apenas por causa de sua simples presença. Um popular corre em debandada ao seu encontro e... de repente é barrado por dois homens. Então ele diz: Deixe o povo vir até mim! Quero sentir o calor humano dos “menos favorecidos”! Então o homem esbaforido consegue chegar ao seu encontro e é tomado de  regozijo e se emociona. Ele abraça e diz ao simples homem: “Pode esperar;  a minha vitória será a sua também”! Sobe desce ladeira o séquito avança favela adentro. Aqui a pobreza fez casa e o descaso impera como um mal sem fronteiras. Um líder popular afirma: “Estamos contigo Doutor!” Entre vários acenos e risos largos as ruas da infância vão sendo calcadas por pés que nunca conheceram o sonho empoeirado de uma   rua sem pavimento. Esgotos a céu aberto denunciam a falta de higiene de um pequeno aglomerado a muitos quilômetros do centro da cidade! Uma senhora voltava frustrada do único posto médico do lugar! No caminho encontra sorridente o candidato que lhe diz: “Minha guerreira não desanime; isso tudo mudará no ano que vem”! Indiferente ele segue ao pino do sol do quase final da manhã. Crianças voltam da escola e o saúdam em sua tolhida  inocência. O cortejo então chega a um lugar onde um terreno baldio faz todos sonhar momentaneamente com uma enorme cooperativa popular e praça de esporte e lazer. “Será prioridade de governo”!  Palmas quebram o silêncio do lugar! Bandeiras  voltam ser agitadas e o nome dele é clamado euforicamente seguido dos já conhecidos gritos de “Já ganhou! Já ganhou”! Com as duas mãos apoiando o queixo uma garotinha contempla da janela as feições do “homem bom” que tudo fará para melhorar o enlameado lugar que vive. Ela se chama Esperanza e não consegue vislumbrar um bruxuleio sequer no fundo dos olhos do “benfazejo” homem que tudo promete e aponta fáceis soluções. Os comerciantes locais incentivam a “vitoriosa”  comitiva. O sol escaldante reverberava sobre a laje onde descamisados e descalços garotos empinam pipa alheios aos acontecimentos e sonhando alto com seu brinquedo colorido. Enfim chega o término da visita e o homem que tudo prometeu sente um alívio ao sair daquele local onde a falta de tudo denunciou com todas as imagens a real situação das pessoas que ali vivem por mera necessidade. Ele faz as contas que no grande dia será retribuída  a sua visita fervorosa  em forma de votos. Eles não esperam a decepção e sim acreditam que  a recompensa virá através dos sonhos que serão realizados por aquele que conheceu de perto o descaso e o entusiasmo dos moradores que  alegremente o carregaram nos braços como sendo um  benevolente.
Jucênio

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