A nuvem condensa e
descarrega sobre a cidade o seu jato purificador. Silenciosa e fria é a
madrugada do verão tropical. Amanhece ensolarada e abafada a metrópole outrora
encharcada. Mudou o tempo de uma hora para outra e ninguém consegue distinguir
com precisão as quatro estações. Morosa e sem destino a nuvem vai desvanecendo
no céu infinito. Sobe ao espaço toneladas de gases nocivos que agridem e
desintegram a benéfica barreira protetora do nosso planeta. UVA, UVB, CFC e
outras letras que unidas influem diretamente na qualidade de vida dos seres
viventes. Poeira e caos se misturam ao cacto que resiste na paisagem árida e
inóspita do sertão castigado e cantado pela pena da asa branca! A água é o
elemento raro que vai sendo perseguido pelo retirante ressequido igual à palha
do seu chapéu! A chuva chegou à cidade! Nuvens carregadas desabam sem se
preocupar com o que está lá embaixo: bueiros entupidos, lixo, esgoto, casas nas
encostas, lodaçal, deslizamentos, enxurradas que levam consigo lembranças nada
agradáveis de quem perdeu o pouco que tinha! Lágrimas gotejam da face suja de
lama. Caótica paisagem! Cadê o granizo que despenca sobre a frágil tapera? Cadê
o caleidoscópio natural da aurora boreal? Cinzentas tardes após o minuano das
pampas. Maremotos e Tsunamis são cada vez mais freqüentes. Canícula, alvoradas
escaldantes, cumulonimbus e chuva ácida se alternam neste desfigurado mosaico
climatológico. De tanto “evoluir” o homem aprendeu a destruir o planeta com
requintes de crueldade. As mudanças na temperatura são testemunhas irrefutáveis
de que o ser humano é o agressor número um da natureza e trabalha diuturnamente
pela sua autodestruição levando consigo o resto dos seres vivos! Fenômenos
naturais também alteram o clima, mas é o homem que irrefletidamente mexe no
clima, nas horas, muda o curso dos rios, clona, suja, mancha, persegue e mata o
que é útil para ele próprio! A busca pelo conforto e riqueza criará uma geração
que evita o canto dos pássaros e verdor das pradarias. Pequenas mudanças de
comportamento contribuem de forma significativa para o equilíbrio do eco
sistema. Desde a mais tenra idade é preciso ensinar a separar o lixo, amar e
respeitar os animais, plantar e conservar árvores, não poluir rios e
mananciais. Não adiantam Tratados e Acordos se o ser humano não se empenhar para
manter saudável o lugar onde ele os outros habitam!
Jucênio
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