sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Figura paterna (Editorial 04/08/2013)



  

Olhe lá vem o meu pai, sua expressão facial e os seus passos são  de cansaço. Ele para  e conversa sobre futebol com o vizinho. Nas mãos ele traz um saco. Corro ao seu encontro e seu esvaimento parece sumir quando me vê. Ele me carrega e me  entrega o saco e dentro dele tem uma bola de futebol. Corro alegre  e dou os primeiros chutes e então agradeço com candura nos olhos e felicidade no sorriso. Gosto de imitá-lo e até torcemos pelo mesmo time. Vamos ao campo juntos e lá está ele correndo atrás da bola. Eu vibrei com o gol dele como se fosse uma final de campeonato mundial. Confesso que fiquei mais alegre por vê-lo feliz do que pelo tento marcado. Do lado de fora ele me ensina que a vida é como um jogo de futebol: uns ganham e outros perdem e que a diferença está apenas em como aceitamos a vitória ou a derrota! Criaram um dia só para ele no oitavo mês do ano. Ele  é muito especial para ter apenas esta data! Lembro que ele às vezes intervinha de forma áspera nas minhas travessuras; mas hoje sei o quanto isso representou para mim. O pai é a figura forte do lar e é o professor incansável que tem um jeito peculiar de ensinar o caminho pela estrada da vida além de alertar sempre para os perigos e dissabores que podemos encontrar neste trajeto. Zela pela segurança e educação dos filhos e procura utilizar princípios que ratificam o caráter, a honestidade e atenção em tudo o que se faz. Pai de família, Chefe  da casa, essas são  atribuições que lhes são  conferidas pela sociedade que vê nele o exemplo de coragem e dignidade para cuidar da sua prole. Vejo as linhas impiedosas do tempo marcarem seu rosto que contemplo com amor e reverência. Seus cabelos vão aos poucos prateando, mas ele continua o mesmo só que com um pouco menos de paciência. As mãos calosas e ásperas  da vida laboriosa me confindenciam que nunca devemos desanimar e insistir sempre  nos nossos objetivos. Ensinou-me uma profissão embora hoje eu tenha outra totalmente diferente, mas este ofício também continua sendo muito útil para mim. Hoje também sou pai e confesso que ficou marcado como um filme os princípios de amizade, carinho e honestidade que ele me ensinou, pois agora posso ver o quanto valioso foi cada palavra dita, expressa de forma coerente e sem maquiagem. O seu legado deitou raízes profundas e os seus conceitos mesmo não fazendo mais parte da minha época ainda me inspira em muitas coisas. Posso apenas dizer que sou muito grato por tê-lo como pai e que os laços de amizade e de amor que nos uniu  ainda perdura forte  como um rochedo e ao mesmo tempo estrondante  como o marulhar das ondas. Aos pais devemos ser gratos por nos conduzir com  braços fortes e representar virtudes marcantes que serão como  um farol na nossa estrada da vida. Parabéns pais, painhos, papais, paizinhos e em todas as formas carinhosas que nunca cansamos de chamá-los.   

Jucênio

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