Olhe lá vem o
meu pai, sua expressão facial e os seus passos são de cansaço. Ele para e conversa sobre futebol com o vizinho. Nas
mãos ele traz um saco. Corro ao seu encontro e seu esvaimento parece sumir
quando me vê. Ele me carrega e me entrega o saco e dentro dele tem uma bola de
futebol. Corro alegre e dou os primeiros
chutes e então agradeço com candura nos olhos e felicidade no sorriso. Gosto de
imitá-lo e até torcemos pelo mesmo time. Vamos ao campo juntos e lá está ele
correndo atrás da bola. Eu vibrei com o gol dele como se fosse uma final de
campeonato mundial. Confesso que fiquei mais alegre por vê-lo feliz do que pelo
tento marcado. Do lado de fora ele me ensina que a vida é como um jogo de
futebol: uns ganham e outros perdem e que a diferença está apenas em como
aceitamos a vitória ou a derrota! Criaram um dia só para ele no oitavo mês do
ano. Ele é muito especial para ter
apenas esta data! Lembro que ele às vezes intervinha de forma áspera nas minhas
travessuras; mas hoje sei o quanto isso representou para mim. O pai é a figura
forte do lar e é o professor incansável que tem um jeito peculiar de ensinar o
caminho pela estrada da vida além de alertar sempre para os perigos e
dissabores que podemos encontrar neste trajeto. Zela pela segurança e educação
dos filhos e procura utilizar princípios que ratificam o caráter, a honestidade
e atenção em tudo o que se faz. Pai de família, Chefe da casa, essas são atribuições que lhes são conferidas pela sociedade que vê nele o
exemplo de coragem e dignidade para cuidar da sua prole. Vejo as linhas
impiedosas do tempo marcarem seu rosto que contemplo com amor e reverência. Seus
cabelos vão aos poucos prateando, mas ele continua o mesmo só que com um pouco
menos de paciência. As mãos calosas e ásperas
da vida laboriosa me confindenciam que nunca devemos desanimar e
insistir sempre nos nossos objetivos. Ensinou-me
uma profissão embora hoje eu tenha outra totalmente diferente, mas este ofício
também continua sendo muito útil para mim. Hoje também sou pai e confesso que
ficou marcado como um filme os princípios de amizade, carinho e honestidade que
ele me ensinou, pois agora posso ver o quanto valioso foi cada palavra dita, expressa
de forma coerente e sem maquiagem. O seu legado deitou raízes profundas e os
seus conceitos mesmo não fazendo mais parte da minha época ainda me inspira em
muitas coisas. Posso apenas dizer que sou muito grato por tê-lo como pai e que
os laços de amizade e de amor que nos uniu
ainda perdura forte como um
rochedo e ao mesmo tempo estrondante como o marulhar das ondas. Aos pais devemos
ser gratos por nos conduzir com braços
fortes e representar virtudes marcantes que serão como um farol na nossa estrada da vida. Parabéns
pais, painhos, papais, paizinhos e em todas as formas carinhosas que nunca cansamos
de chamá-los.
Jucênio

Nenhum comentário:
Postar um comentário