Os primeiros
raios de sol declinam sobre a bucólica paisagem suburbana! É uma ensolarada
manhã de domingo em pleno inverno
soteropolitano! Uma turma dirige-se a um campo de terra batida
circundado por arbustos e vegetação rasteira. Algumas casas ao redor. A
garrincha faz um chiado característico. O cheiro do mato coberto pela brisa
exala um perfume natural. São quase seis horas da manhã. A turma chega e
prepara o local para a partida: um integrante do grupo marca as linhas do campo
com a cal; outro componente calça o meião e a chuteira rota e empoeirada.
Que interessa isso? Tampinhas coloridas ajudam na formação das equipes. A bola
chegou devidamente calibrada e nova! Ela é a estrela principal. Um será o
árbitro: tarefa incômoda, mas importante. A bola rola e os atletas de fim de
semana esquecem os dissabores de uma vida agitada e tempo cada vez mais
escasso. Aqui é diferente: um enlevo toma conta dos participantes do baba e as
jogadas às vezes não saem como planejado; as pernas parecem não querer
acompanhar o ritmo frenético do jogo. São oito horas e outro grupo chega e
forma uma torcida cheia de “técnicos” e “entendidos”. Drible da vaca, elástico,
lençol, pedalada, gol de letra muitos nomes e jogadas de efeito que faz o
“varzeano” sonhar com craques multimilionários que muitas vezes nem sequer sentiram o calor e a poesia enrustidos
no solo deste simplório lugar. Escanteio cobrado: a bola viaja em linha curva e
desce, então alguém a cabeceia e faz o gol. Vibração de um lado e reclamação do
outro. Chove lentamente e os pingos rorejam a terra seca. São quase dez e meia e o calor começa a ditar
as regras nesta manhã de junho. Que interessa isso? Entre “duplas” e “torneios” uns saem e tomam
uma geladinha para “rebater”. É como se algo prendesse a atenção de todos em
cada lance seja de perigo de gol ou não. Aqui todos se encontram: o amigo de
infância e o amigo da onça, o patrão e o
empregado, o doutor e o iletrado, o gordo e o magro....Que interessa isso?
Todos aqui esquecem por insantes das situações aflitivas e conflitantes geradas pela rotina. É como se o
baba agisse como um bálsamo ou válvula de escape sobre as emoções. A manhã vai
chegando ao fim e aos poucos os integrantes do baba vão deixando o local de
seus devaneios, contando e lembrando-se das jogadas, das defesas e dos gols. A
família agora espera por eles. As
traves, solitárias, olham uma para outra;
as marcas da cal sumiram quase que totalmente; no campo ficaram as marcas das
chuteiras como provas concretas das impressões geradas nesta alegre manhã do
campo da várzea suburbana. Domingo que vem tem mais e a semana passará tão
depressa como o orvalho que evaporou sobre a
folhagem. O campo de várzea será sempre a fonte de inspiração para os
seus ricos habitantes!
Jucênio
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