quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O doce futebol de várzea (Editorial 28/07/2013)



          Os primeiros raios de sol declinam sobre a bucólica paisagem suburbana! É uma ensolarada manhã de domingo em pleno inverno  soteropolitano! Uma turma dirige-se a um campo de terra batida circundado por arbustos e vegetação rasteira. Algumas casas ao redor. A garrincha faz um chiado característico. O cheiro do mato coberto pela brisa exala um perfume natural. São quase seis horas da manhã. A turma chega e prepara o local para a partida: um integrante do grupo marca as linhas do campo com a cal;  outro componente  calça o meião e a chuteira rota e empoeirada. Que interessa isso? Tampinhas coloridas ajudam na formação das equipes. A bola chegou devidamente calibrada e nova! Ela é a estrela principal. Um será o árbitro: tarefa incômoda, mas importante. A bola rola e os atletas de fim de semana esquecem os dissabores de uma vida agitada e tempo cada vez mais escasso. Aqui é diferente: um enlevo toma conta dos participantes do baba e as jogadas às vezes não saem como planejado; as pernas parecem não querer acompanhar o ritmo frenético do jogo. São oito horas e outro grupo chega e forma uma torcida cheia de “técnicos” e “entendidos”. Drible da vaca, elástico, lençol, pedalada, gol de letra muitos nomes e jogadas de efeito que faz o “varzeano” sonhar com craques multimilionários que muitas vezes nem  sequer sentiram o calor e a poesia enrustidos no solo deste simplório lugar. Escanteio cobrado: a bola viaja em linha curva e desce, então alguém a cabeceia e faz o gol. Vibração de um lado e reclamação do outro. Chove lentamente e os pingos rorejam a terra seca.  São quase dez e meia e o calor começa a ditar  as regras nesta manhã  de junho. Que interessa isso?  Entre “duplas” e “torneios” uns saem e tomam uma geladinha para “rebater”. É como se algo prendesse a atenção de todos em cada lance seja de perigo de gol ou não. Aqui todos se encontram: o amigo de infância e o amigo da onça,  o patrão e o empregado, o doutor e o iletrado, o gordo e o magro....Que interessa isso? Todos aqui esquecem por insantes das situações aflitivas e  conflitantes geradas pela rotina. É como se o baba agisse como um bálsamo ou válvula de escape sobre as emoções. A manhã vai chegando ao fim e aos poucos os integrantes do baba vão deixando o local de seus devaneios, contando e lembrando-se das jogadas, das defesas e dos gols. A família agora espera por eles.  As traves, solitárias,  olham uma para outra; as marcas da cal sumiram quase que totalmente; no campo ficaram as marcas das chuteiras como provas concretas das impressões geradas nesta alegre manhã do campo da várzea suburbana. Domingo que vem tem mais e a semana passará tão depressa como o orvalho que evaporou sobre a  folhagem. O campo de várzea será sempre a fonte de inspiração para os seus ricos habitantes!

Jucênio

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