Uma corda separa o
público do campo. Elas estão no fundo campo atrás das traves. Apenas isso é o
limite para conter uma multidão que observa, xinga, rir, critica e
principalmente torce pelo seu time. Às vezes não estão torcendo, mas o olhar
fixo no campo busca em cada jogada uma distração para algum tipo de problema.
Apostas são feitas! São homens, mulheres
e crianças que vieram se divertir. Dentro do campo a poeira sobe e a correria
desenfreada desperta atenção até mesmo de quem não é aficionado por futebol. Por trás das cordas amigos de
infância surgem do nada. Quanto tempo não nos víamos! Conversas distraem enquanto
o jogo fica morno. O lugar acanhado e acidentado ganha clima de arena e o público
aumenta a cada minuto da ensolarada manhã de domingo. Surge um gol e a corda
treme e surgem pulos de alegria. Todos são contidos atrás daquela fina e
vulnerável barreira. Integrantes da Liga checam se tudo está em seu lugar.
“Aqui é o lugar!” dizem alguns. Mãos que seguram copos. Olhos saudosos e
atentos observam a nova geração que corre para lá para cá dentro do campo.
Vendedores disputam o espaço: atrás das
cordas! Ficar deste lado sem invadir o
campo pra comemorar, pra protestar ou até para fazer gozação de um colega
mostra que educação existe e aqui tem o seu exemplo em nossos verdadeiros torcedores! Intervalo do lado de lá e os integrantes
da Liga remarcam o campo com a cal; atletas
reservas batem bola para aquecer. Enquanto isso do lado de cá da corda está
melhor, pois, alguns tomam uma “gelosa” para rebater! A bolsa de apostas
“ferve”; outros aproveitam para colocar o papo em dia com algum colega que por
força da rotina não se encontram e tem naqueles preciosos minutos a grande
chance. Pagode no Bar, sambão na laje. Gente bonita! A partida recomeça e aos
poucos atrás da corda fica lotado! Gritos e gozações! Alguém xingou o árbitro:
ele é sempre a bola da vez! Outro gol só que agora do adversário! Cantos e
gritos de guerra sacodem a arena! Reclamações
ao técnico que mudou o time errado! A partida esquenta e os times buscam o gol
da vitória. Alguns para dizer a verdade não estão nem aí para o jogo e querem
apenas aproveitar a companhia de alguém para conversar e atualizar o papo. A
partida caminha para o fim o jogo está empatado e os perdedores das apostas
protestam contra tudo e contra todos. A sorte desta vez não estava do lado deles. Fim de jogo e aos poucos as
pessoas vão se afastando das cordas e indo cada uma para outro lugar. Aos
poucos também o “palco” é
desarmado. As cordas são enrodilhadas e
colocadas dentro de sacos; logo elas que deram segurança aos envolvidos nas
partidas e demarcaram os limites entre a alegria e a decepção. Mas no outro domingo começará tudo de novo e
atrás delas estarão, de novo, várias pessoas em busca de diversão e lazer!
Jucênio

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