quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Do outro lado da corda (Editorial 22/09/2013)



  

Uma corda separa o público do campo. Elas estão no fundo campo atrás das traves. Apenas isso é o limite para conter uma multidão que observa, xinga, rir, critica e principalmente torce pelo seu time. Às vezes não estão torcendo, mas o olhar fixo no campo busca em cada jogada uma distração para algum tipo de problema. Apostas são feitas!  São homens, mulheres e crianças que vieram se divertir. Dentro do campo a poeira sobe e a correria desenfreada desperta atenção até mesmo de quem não é aficionado por  futebol. Por trás das cordas amigos de infância surgem do nada. Quanto tempo não nos víamos! Conversas distraem enquanto o jogo fica morno. O lugar acanhado e acidentado ganha clima de arena e o público aumenta a cada minuto da ensolarada manhã de domingo. Surge um gol e a corda treme e surgem pulos de alegria. Todos são contidos atrás daquela fina e vulnerável barreira. Integrantes da Liga checam se tudo está em seu lugar. “Aqui é o lugar!” dizem alguns. Mãos que seguram copos. Olhos saudosos e atentos observam a nova geração que corre para lá para cá dentro do campo. Vendedores disputam  o espaço: atrás das cordas! Ficar deste  lado sem invadir o campo pra comemorar, pra protestar ou até para fazer gozação de um colega mostra que educação existe e aqui tem o seu exemplo em nossos verdadeiros  torcedores! Intervalo do lado de lá e os integrantes da Liga remarcam o campo com a cal;  atletas reservas batem bola para aquecer. Enquanto isso do lado de cá da corda está melhor, pois, alguns tomam uma “gelosa” para rebater! A bolsa de apostas “ferve”; outros aproveitam para colocar o papo em dia com algum colega que por força da rotina não se encontram e tem naqueles preciosos minutos a grande chance. Pagode no Bar, sambão na laje. Gente bonita! A partida recomeça e aos poucos atrás da corda fica lotado! Gritos e gozações! Alguém xingou o árbitro: ele é sempre a bola da vez! Outro gol só que agora do adversário! Cantos e gritos de guerra sacodem a arena!  Reclamações ao técnico que mudou o time errado! A partida esquenta e os times buscam o gol da vitória. Alguns para dizer a verdade não estão nem aí para o jogo e querem apenas aproveitar a companhia de alguém para conversar e atualizar o papo. A partida caminha para o fim o jogo está empatado e os perdedores das apostas protestam contra tudo e contra todos. A sorte desta vez não estava do  lado deles. Fim de jogo e aos poucos as pessoas vão se afastando das cordas e indo cada uma para outro lugar. Aos poucos também o  “palco” é desarmado.  As cordas são enrodilhadas e colocadas dentro de sacos; logo elas que deram segurança aos envolvidos nas partidas e demarcaram os limites entre a alegria e a decepção.  Mas no outro domingo começará tudo de novo e atrás delas estarão, de novo, várias pessoas em busca de diversão e lazer!    

Jucênio

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