quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Caminho para a escola (Editorial27/10/2013)



      
Era finzinho da década de 1970 eu e meu irmão mais velho subíamos a ladeira íngreme e com os degraus escavados no próprio solo. Algumas casas ainda eram de taipa, aliás, tinham poucas casas em nossa rua. Vizinhos de verdade que eram muito solícitos e cordiais.  O destino nosso era a escola; após alguns minutos chegamos à esquina da Rua Buri; ali ficava a venda de D. Jorgina, onde comprávamos doces. Mais acima estava outra vendinha a de Sr. Cláudio, conhecido como Gordo. Esta existe até hoje! O trajeto era de chão cru e asfalto só existia na rua principal do bairro. Seguíamos pela Rua Seis de Janeiro que era bastante esburacada, com casas simples e tinha a Banca de Pró Sônia, a venda de  Sr. Manoel, a Casa  Branca, a venda de Sr. Alípio que vendia “qboa” entre  outras. Chegando à rua principal estavam neste trecho: o açougue, o depósito de bebidas e a EDAC Materiais de Construção. A nossa escola que ficava no Fim de Linha do bairro. Passamos em frente ao Armarinho Sete de Abril de Sr. Jaime, onde comprávamos desde o lápis até as figurinhas para o álbum que colecionávamos. Tempo bom aquele da “caça a figurinha chave” que dava direito ao prêmio para quem a achasse. Alcançamos agora as imediações da padaria de Sr. Daniel e  do Abatedouro Avícola Daniela, este ficava onde hoje é a padaria de Márcio “Treme-treme”. Andando conversávamos sobre coisas de criança; de criança verdadeira que não alimentava sonhos para o futuro e que apenas vivia sem as  preocupações do mundo adulto. Próximo à quadra B;  a Igreja Evangélica Pentecostal que também funcionava uma escola; mais a frente o Barateiro na entrada da Rua União. Ali em cima da contenção da mesma quadra  tinha um barbeiro que cortava os nossos cabelos era o Sr. Tibúrcio, personagem alegre contador de histórias. Chegamos ao Fim de Linha aqui poucas linhas serviam ao nosso bairro, pois,  e população ainda era pequena. O ponto era mais ou menos ao lado da Mercearia de Dinho, próximo à Delegacia. Chegamos finalmente ao destino final: Escola Afrânio Peixoto que fica próxima do Instituto São Geraldo. Calça azul marinho, camisa de tergal branca com bolso onde ficava o escudo e nos pés conga ou kichute. Nesta época  estudei na sala cinco e meu irmão na sala nove. Mestres ensinavam nesta escola e entre eles posso citar: Pró Inês, Neildes, Deli, Maria Anita, Joselina (Diola) entre outras. Era uma professora para ensinar entre cinco e seis matérias (Português, Matemática, Estudos Sociais, Ciências, Desenho etc). Os cadernos eram pequenos e nunca eram iniciados sem o cabeçalho. Os estudantes eram mais aplicados e se esforçavam mais pelos conteúdos ministrados;  tinha sabatina e debate entre os alunos. No recreio a paçoca era a merenda mais disputada, alguns alunos faziam copos de papel  para pegar o concorrido lanche; além disso, algumas pessoas vendiam sonhos, pastéis, sucos  e um doce tipo puxa-puxa que chamavam de álfelis e tinha gosto de rapadura. As meninas brincavam de roda e os meninos de pícula. A tia tocava o sino e todos corriam para as suas salas. Fim da manhã a aula chegava ao fim e voltávamos para casa pela Rua Ideal com chão de barro e na esquina a padaria Oxagriã. Às vezes parávamos na  casa de um colega para assistir Daniel Boone. Inesquecível aquela época!!

Jucênio

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