Era finzinho da
década de 1970 eu e meu irmão mais velho subíamos a ladeira íngreme e com os
degraus escavados no próprio solo. Algumas casas ainda eram de taipa, aliás,
tinham poucas casas em nossa rua. Vizinhos de verdade que eram muito solícitos
e cordiais. O destino nosso era a escola;
após alguns minutos chegamos à esquina da Rua Buri; ali ficava a venda de D. Jorgina,
onde comprávamos doces. Mais acima estava outra vendinha a de Sr. Cláudio,
conhecido como Gordo. Esta existe até hoje! O trajeto era de chão cru e asfalto
só existia na rua principal do bairro. Seguíamos pela Rua Seis de Janeiro que
era bastante esburacada, com casas simples e tinha a Banca de Pró Sônia, a venda
de Sr. Manoel, a Casa Branca, a venda de Sr. Alípio que vendia “qboa”
entre outras. Chegando à rua principal
estavam neste trecho: o açougue, o depósito de bebidas e a EDAC Materiais de Construção.
A nossa escola que ficava no Fim de Linha do bairro. Passamos em frente ao
Armarinho Sete de Abril de Sr. Jaime, onde comprávamos desde o lápis até as
figurinhas para o álbum que colecionávamos. Tempo bom aquele da “caça a
figurinha chave” que dava direito ao prêmio para quem a achasse. Alcançamos
agora as imediações da padaria de Sr. Daniel e
do Abatedouro Avícola Daniela, este ficava onde hoje é a padaria de
Márcio “Treme-treme”. Andando conversávamos sobre coisas de criança; de criança
verdadeira que não alimentava sonhos para o futuro e que apenas vivia sem as preocupações do mundo adulto. Próximo à quadra
B; a Igreja Evangélica Pentecostal que
também funcionava uma escola; mais a frente o Barateiro na entrada da Rua
União. Ali em cima da contenção da mesma quadra tinha um barbeiro que cortava os nossos
cabelos era o Sr. Tibúrcio, personagem alegre contador de histórias. Chegamos
ao Fim de Linha aqui poucas linhas serviam ao nosso bairro, pois, e população ainda era pequena. O ponto era
mais ou menos ao lado da Mercearia de Dinho, próximo à Delegacia. Chegamos finalmente
ao destino final: Escola Afrânio Peixoto que fica próxima do Instituto São
Geraldo. Calça azul marinho, camisa de tergal branca com bolso onde ficava o
escudo e nos pés conga ou kichute. Nesta época
estudei na sala cinco e meu irmão na sala nove. Mestres ensinavam nesta
escola e entre eles posso citar: Pró Inês, Neildes, Deli, Maria Anita, Joselina
(Diola) entre outras. Era uma professora para ensinar entre cinco e seis
matérias (Português, Matemática, Estudos Sociais, Ciências, Desenho etc). Os
cadernos eram pequenos e nunca eram iniciados sem o cabeçalho. Os estudantes
eram mais aplicados e se esforçavam mais pelos conteúdos ministrados; tinha sabatina e debate entre os alunos. No
recreio a paçoca era a merenda mais disputada, alguns alunos faziam copos de
papel para pegar o concorrido lanche; além
disso, algumas pessoas vendiam sonhos, pastéis, sucos e um doce tipo puxa-puxa que chamavam de
álfelis e tinha gosto de rapadura. As meninas brincavam de roda e os meninos de
pícula. A tia tocava o sino e todos corriam para as suas salas. Fim da manhã a
aula chegava ao fim e voltávamos para casa pela Rua Ideal com chão de barro e na
esquina a padaria Oxagriã. Às vezes parávamos na casa de um colega para assistir Daniel Boone.
Inesquecível aquela época!!
Jucênio
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