quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Caminho para a escola 2 (Editorial 02/11/2013)




Era início da década de 1980, eu e meu irmão mais velho éramos adolescentes e cursavamos a quinta série do ginásio (hoje chamado de ensino fundamental); descíamos uma pequena ladeira, atravessávamos uma pequena ponte sobre o córrego para chegar em um pequeno caminho que dava acesso ao campo da fonte da bica e a  uma estrada  onde hoje é a Via Regional. Por este caminho algumas casas simples, uma fonte (não havia água encanada onde morávamos), calangos e lagartixas fugidios escondiam-se ao som dos nossos passos.  Muitos arbustos de jurubeba  e de uma plantinha que se fechava ao toque de nossas mãos. Era divertido  brincar com ela. Alguns animais típicos  da paisagem interiorana como vacas e cabras pastavam ao longo do caminho. A estrada  era  sinuosa e de terra batida. Lembro que tinha uma adutora subterrânea que quando por algum motivo estourava fazíamos do “chafariz improvisado”  o nosso divertimento. Mas alguém sempre vinha e consertava o vazamento e acabava com a nossa alegria. Olhando para onde está o viaduto do Barradão víamos um imenso matagal e uma  chácara; nesta tinha  algo em tom azulado no meio do verde: era uma psicina. Olhando para o lado oposto: algumas casas simples e o lugar onde hoje se chama Novo Marotinho. Era um simplório lugar com pequenas construções e vegetação robusta. Subíamos e descíamos pela sinuosidade  da  estrada que  lembrava um “tobogã” natural e no trajeto encontrávamos alguns colegas que moravam no Marotinho e também em Jardim Nova Esperança. Ao chegar no meio da ladeira que dava acesso à nossa escola olhava em direção  a nossa  casa e não conseguia avistá-la com nitidez, pois, a vegetação era  abundante e o meu guia era o pequeno córrego que ainda tinha água limpa e murmurante. Realmente a paisagem tinha um certo bucolismo e transmitia paz. Chegamos enfim a nossa escola: Eraldo Tinoco o seu nome. Calças jeans índigo; camisa de algodão branca com o escudo pintado (confesso que era um escudo bem complicado com traços azul e vermelho dentro de um círculo) o calçado preto completava  o nosso uniforme. Uma sirene anunciava a entrada, os intervalos das aulas e o término das mesmas. As salas eram novas assim como a sua mobília. Janelas  e esquadrias de alumínio que deslizavam de um lado para o outro estavam na bela fachada do recém inaugurado Colégio. O nome do colégio era de um azul intenso cravado logo na frente. Térreo e mais dois andares e as classes da quinta série ficavam no segundo e  classificadas  pela ordem alfabética. A Sala de meu irmão era a turma A e a minha era a turma C. Lá do alto contemplava a quadra esportiva com duas pequenas traves móveis. Muitos alunos faziam parte desta comunidade escolar; naquela época os nossos  professores eram: Iracema (portugês), Célia (matemática), Ana Lúcia (ciências), Marlene (educação artitística), Bertoldo (artesanato), Anunciada (história), Vivaldo (inglês), Zenaide (estudos sociais), Antônia Cazumbá (EMC), Antônio Cayres e Sérgio (educação física), Guita (história) entre outros que mais lembravam uma equipe de profesores de cursinho devido a  qualidade do ensino minsitrado. Na Direção da Escola tinha: Wilton, Ismael e Gláucia. Os corredores eram limpos e as funcionárias inspencionavam constantemente as salas após o intervalo enquanto descíamos para o intervalo. Tinha merenda na cantina: mingau, achocolatado com biscoito ou arroz com PTS(proteína texturizada de soja). Os alunos jogavam bola na quadra e as meninas conversavam sobre televisão e filmes. Fim do intervalo completavamos as nossas cargas horárias e voltavamos para casa num fim de tarde onde o sol já apresentava um tom mais alaranjado e suave sobre a pele dos alunos que buscavam um futuro promissor!  
Jucênio

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