Era início da
década de 1980, eu e meu irmão mais velho éramos adolescentes e cursavamos a quinta
série do ginásio (hoje chamado de ensino fundamental); descíamos uma pequena
ladeira, atravessávamos uma pequena ponte sobre o córrego para chegar em um
pequeno caminho que dava acesso ao campo da fonte da bica e a uma estrada onde hoje é a Via Regional. Por este caminho
algumas casas simples, uma fonte (não havia água encanada onde morávamos), calangos
e lagartixas fugidios escondiam-se ao som dos nossos passos. Muitos arbustos de jurubeba e de uma plantinha que se fechava ao toque de
nossas mãos. Era divertido brincar com
ela. Alguns animais típicos da paisagem
interiorana como vacas e cabras pastavam ao longo do caminho. A estrada era sinuosa
e de terra batida. Lembro que tinha uma adutora subterrânea que quando por
algum motivo estourava fazíamos do “chafariz improvisado” o nosso divertimento. Mas alguém sempre vinha
e consertava o vazamento e acabava com a nossa alegria. Olhando para onde está
o viaduto do Barradão víamos um imenso matagal e uma chácara; nesta tinha algo em tom azulado no meio do verde: era uma
psicina. Olhando para o lado oposto: algumas casas simples e o lugar onde hoje
se chama Novo Marotinho. Era um simplório lugar com pequenas construções e
vegetação robusta. Subíamos e descíamos pela sinuosidade da estrada
que lembrava um “tobogã” natural e no
trajeto encontrávamos alguns colegas que moravam no Marotinho e também em
Jardim Nova Esperança. Ao chegar no meio da ladeira que dava acesso à nossa
escola olhava em direção a nossa casa e não conseguia avistá-la com nitidez,
pois, a vegetação era abundante e o meu
guia era o pequeno córrego que ainda tinha água limpa e murmurante. Realmente a
paisagem tinha um certo bucolismo e transmitia paz. Chegamos enfim a nossa
escola: Eraldo Tinoco o seu nome. Calças jeans índigo; camisa de algodão branca
com o escudo pintado (confesso que era um escudo bem complicado com traços azul
e vermelho dentro de um círculo) o calçado preto completava o nosso uniforme. Uma sirene anunciava a
entrada, os intervalos das aulas e o término das mesmas. As salas eram novas
assim como a sua mobília. Janelas e
esquadrias de alumínio que deslizavam de um lado para o outro estavam na bela
fachada do recém inaugurado Colégio. O nome do colégio era de um azul intenso
cravado logo na frente. Térreo e mais dois andares e as classes da quinta série
ficavam no segundo e classificadas pela ordem alfabética. A Sala de meu irmão era
a turma A e a minha era a turma C. Lá do alto contemplava a quadra esportiva
com duas pequenas traves móveis. Muitos alunos faziam parte desta comunidade
escolar; naquela época os nossos
professores eram: Iracema (portugês), Célia (matemática), Ana Lúcia
(ciências), Marlene (educação artitística), Bertoldo (artesanato), Anunciada (história),
Vivaldo (inglês), Zenaide (estudos sociais), Antônia Cazumbá (EMC), Antônio
Cayres e Sérgio (educação física), Guita (história) entre outros que mais
lembravam uma equipe de profesores de cursinho devido a qualidade do ensino minsitrado. Na Direção da
Escola tinha: Wilton, Ismael e Gláucia. Os corredores eram limpos e as
funcionárias inspencionavam constantemente as salas após o intervalo enquanto
descíamos para o intervalo. Tinha merenda na cantina: mingau, achocolatado com
biscoito ou arroz com PTS(proteína texturizada de soja). Os alunos jogavam bola
na quadra e as meninas conversavam sobre televisão e filmes. Fim do intervalo
completavamos as nossas cargas horárias e voltavamos para casa num fim de tarde
onde o sol já apresentava um tom mais alaranjado e suave sobre a pele dos
alunos que buscavam um futuro promissor!
Jucênio

Nenhum comentário:
Postar um comentário