quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Caminho para a escola 3 (Editorial 10/11/2013)




Caminhava  sozinho pela recém construída Via  Regional. O cheiro do asfalto novo exalava sob o sol do meio dia e meia. Meu irmão mais velho ainda estudava no Eraldo Tinoco e eu estava iniciando o segundo grau (atual ensino médio). Era meado da década de 1980, o Brasil respirava os “novos ares” trazidos pelo movimento  Diretas Já  e uma canção  lembrava o quanto somos tão jovens: era a Legião Urbana de Renato Russo que estava iniciando uma carreira de sucesso que continua a encantar todos até o dia de hoje. Seguia o meu caminho pela estrada de asfalto virgem onde  poucos carros passavam. Ainda não tinha linha de ônibus circulando e às margens de suas sinuosas curvas estava lá em cima  a Escola Eraldo Tinoco e mais a frente em outro morro estava o  campo do fim de linha de Sete de Abril. Na divisa com o bairro de Castelo Branco  estava um pequeno  riacho. Na última curva estava um ferro velho. Descia  por dentro de um pequeno matagal e subia em direção a minha escola: Edvaldo Brandão Correia o seu nome e fica em Cajazeiras IV. Andei por esse trajeto durante quase seis meses ida e volta, mas minha mãe ficava aflita e sempre me aconselhava a não ir mais por ele. Então, passei a fazer o trajeto de ônibus. Pegava um ônibus da empresa Transur  em frente à Padaria Oxagriã.  A linha era Sete de Abril X Terminal  EVA; aliás, este famigerado  terminal era um grande  galpão e os passageiros recém chegados eram amontoados e ficavam a mercê da própria sorte, pois, os coletivos eram invadidos por populares e sempre saíam superlotados com pessoas penduradas na porta. Quando  eu via aquela cena deprimente  sentia saudade da caminhada pela Via Regional.  Alguns meses depois foi inaugurado o Terminal Nova Esperança (no mesmo lugar onde hoje está a Estação Pirajá). Este terminal era mais amplo e  organizado, mas infelizmente a demora na fila era a mesma.  O ônibus saía do terminal com o seguinte itinerário: Brasil Gás, Castelo Branco e Cajazeiras. Ao descer no ponto eu seguia por uma rua comprida até a escola. Ela lembrava um pouco o Afrânio Peixoto. Meus colegas de sala eram animados e com eles aprendi a gostar do rock nacional  da Legião,  Ira, Titãs, Barão Vermelho e etc.   Eles eram muito legais tanto dentro quanto fora da sala. Fiz muitas amizades, principalmente por causa do futebol que jogávamos na quadra da escola  que ficava bem ao fundo (de lá podia ver parte da Via Regional).  Estudei na sala 1º Adm. que ficava mais ou menos no segundo quarteirão. Os professores eram: Jarmi (Administração) Emanuel (Matemática), João (Estatística), Mizael”Sapinho”(Desenho Geométrico), Reinaldo(Português), José (Inglês) entre outros. Quando tinha o horário vago a turma ficava  no corredor cantando e batendo na palma da mão. Eu sempre fui mais acanhado para cantar e até hoje não tenho a menor vocação para isso. Assistíamos às aulas e apresentávamos na frente da classe o nosso trabalho. Era  bem divertido e o conhecimento era fixado em nossa memória. Fim de tarde saía da escola de volta  para casa e voltava pelo mesmo trajeto em direção ao Terminal Nova Esperança. Chegando ao terminal as filas já estavam grandes e se misturavam umas às  outras. O caminho não  era tão engarrafado, mas as linhas de ônibus já eram insuficientes e não atendiam a demanda. No outro dia tudo começava do mesmo jeito e o modo de encarar  o  trajeto era sim mais um novo desafio!

Jucênio

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