sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Desde que o samba, é samba (editorial 24/11/2013)



    
Que dança é essa que faz a mulata, a criança, o rico, o gringo, enfim todos  requebrarem? Ali estão todos formando uma roda e cantando,  batendo na palma da mão e transpirando cultura. Jongo africano que caiu no gosto popular brasileiro. Letras simples que falam de amores perdidos, contos populares, festas e  resistência negra. Samba de roda no recêncavo baiano: expressão autêntica de uma cultura que não cessa e que é passada de geração em geração Mistura de culturas no lundu: “Umbigada de papudo é papudo que dá”; semba de Angola! Tia Ciata sambou e o carioca aprovou!  “Pelo telefone” foi  a primeira canção. Apesar de muitos empecilhos o samba foi ganhando o gosto popular e de suas origens surgiram várias derivações: samba maxixe, bossa nova, samba de breque, samba canção, samba de terreiro, samba de partido alto, samba raiado, samba urbano, pagode e outras variações desses estilos oriundos do samba. Aos poucos o samba foi ganhando cada vez mais adeptos e os compositores levaram esse estilo popular para as rádios o que contribui para a massificação dos apreciadores desse ritmo contagiante. Seria preciso um volume inteiro para listar os nomes de todos os sambistas influentes ou não que fazem parte da nossa extensa raiz cultural!  Lá está ele na apoteose; no trio elétrico, na caminhada, no bar; na roda de amigos, no salto alto da morena faceira, nas “cadeiras”  da mulata que sobe a ladeira com a lata d´água na cabeça; no balanço do bebê em uma canção de ninar; na batida como os dedos na mesa e na caixa de fósforos, no som cavaquinho, na cadência do pandeiro, na marcação de quem fica lá atrás do grupo, nos pés da baiana que rodopia em sua ala própria, enfim onde alguém se alegra com algo ali o samba está! Não é preciso ser expert e ter acuidade auditiva apurada para distinguir a melodia faceira e contagiante que emana de um samba bem produzido, pois, “as rosa não falam”.  Atualmente existem vários grupos de samba com a sua musicalidade aglutinada por outros ritmos, assim como, Escolas  de Samba que  exibem  glamour  e  exuberância que contrastam com a simplicidade e escassez de instrumentos das antigas rodas; o termo pagode também ganhou outra variação e ficou um pouco desafinado em relação às origens quando as letras eram essencialmente de fundo de quintal; hoje até palavras de duplo sentido são usadas por músicos auto-intitulados “pagodeiros”. O importante é que os admiradores e amantes do samba continuem a produzir suas obras e “não deixe o  samba morrer”, pois, ele  continua e não é apenas um rio que passou em minha  vida, mas é a identidade de um povo guerreiro, alegre e resistente; assim é com a gente e porque não dizer: com os  sambistas de todo o mundo, pois “eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para todo mundo dançar!” Parabéns a todos os sambistas pela criatividade, alegria, originalidade e musicalidade de primeira linha que fazem parte deste patrimônio cultural  da humanidade: o samba.

Jucênio

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