Que dança é essa que faz a
mulata, a criança, o rico, o gringo, enfim todos requebrarem? Ali estão todos formando uma
roda e cantando, batendo na palma da mão
e transpirando cultura. Jongo africano que caiu no gosto popular brasileiro.
Letras simples que falam de amores perdidos, contos populares, festas e resistência negra. Samba de roda no recêncavo
baiano: expressão autêntica de uma cultura que não cessa e que é passada de
geração em geração Mistura de culturas no lundu: “Umbigada
de papudo é papudo que dá”; semba de Angola! Tia Ciata sambou e o carioca
aprovou! “Pelo telefone” foi a primeira canção. Apesar de muitos empecilhos
o samba foi ganhando o gosto popular e de suas origens surgiram várias derivações:
samba maxixe, bossa nova, samba de breque, samba canção, samba de terreiro,
samba de partido alto, samba raiado, samba urbano, pagode e outras variações
desses estilos oriundos do samba. Aos poucos o samba foi ganhando cada vez mais
adeptos e os compositores levaram esse estilo popular para as rádios o que
contribui para a massificação dos apreciadores desse ritmo contagiante. Seria
preciso um volume inteiro para listar os nomes de todos os sambistas influentes
ou não que fazem parte da nossa extensa raiz cultural! Lá está ele na apoteose; no trio elétrico, na
caminhada, no bar; na roda de amigos, no salto alto da morena faceira, nas “cadeiras” da mulata que sobe a ladeira com a lata
d´água na cabeça; no balanço do bebê em uma canção de ninar; na batida como os
dedos na mesa e na caixa de fósforos, no som cavaquinho, na cadência do
pandeiro, na marcação de quem fica lá atrás do grupo, nos pés da baiana que
rodopia em sua ala própria, enfim onde alguém se alegra com algo ali o samba
está! Não é preciso ser expert e ter acuidade auditiva apurada para distinguir
a melodia faceira e contagiante que emana de um samba bem produzido, pois, “as rosa
não falam”. Atualmente existem vários
grupos de samba com a sua musicalidade aglutinada por outros ritmos, assim como,
Escolas de Samba que exibem glamour e exuberância
que contrastam com a simplicidade e escassez de instrumentos das antigas rodas;
o termo pagode também ganhou outra variação e ficou um pouco desafinado em
relação às origens quando as letras eram essencialmente de fundo de quintal;
hoje até palavras de duplo sentido são usadas por músicos auto-intitulados
“pagodeiros”. O importante é que os admiradores e amantes do samba continuem a
produzir suas obras e “não deixe o samba
morrer”, pois, ele continua e não é
apenas um rio que passou em minha vida,
mas é a identidade de um povo guerreiro, alegre e resistente; assim é com a
gente e porque não dizer: com os sambistas
de todo o mundo, pois “eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para todo mundo
dançar!” Parabéns a todos os sambistas pela criatividade, alegria,
originalidade e musicalidade de primeira linha que fazem parte deste patrimônio
cultural da humanidade: o samba.
Jucênio

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