quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Editorial 17/11/2013



 Consciência  Negra

Balança a enorme embarcação em alto mar! Imponente como  um transatlântico rasga a noite escura deslizando sobre a imensa trilha aquática. Dos seus imundos porões  ouvem-se gritos de desespero e uivos de dor que não conseguem tocar o coração dos sanguinários tripulantes. Ali estão amontoados homens, mulheres e crianças que foram  arrancados de sua terra natal para  serem escravizados em outro país. Como mercadorias chegaram a este estranho lugar. Muitos morreram no caminho e outros  não gostariam de ter sobrevivido depois!  O sol castigava a negra pele e a humilhação e perversidade  doía  na  alma.   O matagal era a esperança de fuga, mas os jagunços partiam em busca do negro fugido com se fosse um animal  que tentava escapar da morte. Sem demora traziam a presa bastante machucada! A resistência  do povo negro supreendia aos senhores de engenho. A sinhazinha tinha pena e a ama de leite alimentava a vida  sem distinção ou escolha da cor da pele. Ervas para curar os males do corpo. Banzo entoado no fundo da fria, suja  e escura senzala. Sinhá gostou do tempero da mucama  e o  sinhozinho batucava com o filho da negra Anastácia.  Aos poucos a mistura parecia  iminente e uma nova cor da pele surgia. Um salto para o ar e uma mistura de dança e luta fazia subir poeira! Tristeza e choro no pelourinho; líquido rubro sobre a  cútis negra! Zumbi ousou e  formou o seu quilombo! Resistência negra! O feijão da nossa feijoada é mais gostoso!  Depois de várias leis chegou enfim a… libertação!!! Vamos comemorar!! Somos livres afinal!! O batuque ritmado do atabaque faz  o terreiro  sambar e as baianas em trajes opulentos  ditam o ritmo com os pés. Liberdade e um mundo sem direitos foi o pagamento;  vagamos a esmo sem  rumo e sem identidade. As primeiras favelas, os primeiros  trabalhadores sem direitos, os guetos este foi o preço da liberdade!  Parece que apenas o açoite nos lombos marcados é que não arde mais, mas por dentro a pancada parece ser mais forte. O tal do preconceito nos atinge em primeira linha e nos faz reféns das mazelas sociais. Cadê esta tal de liberdade que  não nos deixa usufruir  a vida  de forma plena.  Por que a perseguição? Parece que o negro ainda é uma caça em disparada pelas antigas savanas!  É uma maioria negra  comprimida nos limites de uma ideologia estreita e discriminatória. O mercado de trabalho fecham as portas! Cotas universitárias para amenizar! É preciso reagir e bradar contra os rótulos!  A cultura  negra  deitou  raízes e segue influenciando por onde passa. É preciso que a sociedade respeite os direitos do ser humano independente da cor da  pele e que as cicatrizes  deixadas pela história sirvam de  lição para todos.
Jucênio

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