quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Editorial (17/08/2014)



Brevidade
Será que ainda temos tempo para sermos tão egoístas a ponto de esquecermos o sofrimento alheio? Com que direito nos apossamos da liberdade e sentimentos dos outros? Esquecemos que nós mesmos somos o espelho para o nosso semelhante. Desnorteados corremos de um lado para o outro na busca insensata pelo que nos sobrecarrega e aflige! Asfixiante! Soterrados por nossa aterradora mesquinhez! Em nossa cegueira pensamos incautamente que nada poderá suceder conosco...apenas com o próximo. Os instantes felizes que nos resta desperdiçamos como um suspiro sem graça ao vento. A porta fechou antes dizermos até logo e da vidraça alguém gostaria de ter dito adeus. Corremos muitas vezes em busca de algo que foge entre os nossos dedos como a areia tão fina como a linha do tempo.  Onde está a verdadeira paz que perseguimos? Atravessamos a rua com preocupação e rapidez estampados em nosso semblante estupefato.  Não reparamos o semáforo,  os automóveis ou dificuldade  alheia. Os instantes parecem ser tão  insignificantes como a certeza do raiar do dia. Dizer eu te amo em intermináveis segundos parece com o ponteiro maior do relógio  que  segue em ritmo de conta-gotas. As injúrias e mentiras machucam por séculos a carne e a alma. Saímos por ai em busca de algo que não preenche a nossa vida e essa vacuidade é o prêmio para as nossas futilidades. Achamos a amizade em um simples gesto ou sorriso, mas desdenhamos e não acreditamos que ela exista no meio de uma humanidade tão fria e calculista como essa da nossa acrimoniosa atualidade. Pecamos pela inobservância do óbvio. Fazemos nossos caminhos  como quem quer colher sem semear. Dizemos bom dia sem desejar isso verdadeiramente.  Dizemos boa noite mais querendo dormir do que acordar. Dizemos amém sem  agradecer genuinamente. Esperamos dos outros mais do que eles podem nos dar! Caminhamos nos prados e bosques sem notar as flores e o canto dos pássaros.  Instantes preciosos! É preciso achar um tempo urgentemente para nós mesmos. Tempo esse que nos conscientize da nossa brevidade em tudo o que queremos realizar. 

Jucênio

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