Quando ainda bebês nós, os filhos, recebemos através do carinho e da
força com que somos segurados no colo a importância da presença de nosso pai.
Mesmo desajeitado ele consegue transmitir fortaleza e confiança com seu modo
peculiar de afagar o pequeno ser. Seu olhar enternecido alegra-se ao contemplar
o rostinho cândido do seu rebento. Mesmo com esses gestos rústicos
recebemos todos os cuidados nas horas de
enfermidades; o modo brincalhão de ser confunde-se com a rispidez nas
advertências e nos conselhos dados querendo, com isso, que evitemos sempre os
caminhos impróprios ou as ciladas que os seres humanos aprenderam a colocar nos
caminhos de seus semelhantes. Antes mesmo de saber caminhar me ensinou a dar os
primeiros chutes em uma bola de futebol. Orgulhoso gritava: “Esse vai ser um
craque!” De mãos dadas caminhávamos lado a lado e enquanto fazia várias
perguntas sobre tudo o que nos rodeava, ele sorria e pacientemente dava
respostas a cada pergunta ingênua que formulava naturalmente sem pensar. Chegava do trabalho cansado e a mesma
pergunta de todo dia era feita: “Como estão as tarefas escolares?” Deixa eu
ver!”“. Ficava apreensivo olhando atentamente a
sua séria feição que seguia cada linha do caderno com olhar de mestre.
Quando estava tudo certo era bom ,pois, brincávamos até dormirmos exaustos e
felizes. Mas às vezes a palavra
“castigo” substituía a extinta palmatória. Era menos doloroso mas terrível de
imaginar que ia ficar uma semana sem jogar bola com meus amigos ou passear no
fim de semana. A medida que ia crescendo começava a entender o zelo e a atenção
que ele exageradamente tinha por mim. Comecei a ver o mundo sob uma ótica mais
séria diferente da minha fantasia infanto-juvenil. As coisas ficaram mais
ríspidas e seus conselhos ecoavam em meus ouvidos de acordo com a “canção” que
ele ensinou. Hoje seus cabelos completamente alvos e seu olhar terno e atento
me saúdam quando chego a uma visita surpresa! O abraço é o mesmo, as palavras
as de sempre e a velha pergunta: “Tudo bem com você filhão?”. Por respeito e
amor continuo lhe chamando de “Senhor”. Sei que a vida tem me
mostrado várias situações; conheci pessoas diferentes das da sua época,
transformações no cotidiano de uma cidade em contínua ebulição; vejo uma
modernidade que quer trucidar
deslealmente o seu legado, observo as mudanças dos conceitos sendo paulatinamente
deturpados e ocasionando com isso o ensino de uma falsa conduta ética e moral.
Tudo bem diferente do que você me ensinou. Sinto a solidez, o significado e a
importância da sua presença em minha vida. Continuamos juntos falando a mesma
língua. Seguimos por caminhos
diferentes. Hoje sou pai e você avô. Mas o importante e que somos unidos pelo
mesmo amor e respeito mútuos e seus ensinamentos ainda norteiam os meus
caminhos pela vida a fora. Feliz Dia dos Pais!
Jucênio

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