quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Pai: presença que influi (editorial 02/08/2015)



Quando ainda bebês nós, os filhos, recebemos através do carinho e da força com que somos segurados no colo a importância da presença de nosso pai. Mesmo desajeitado ele consegue transmitir fortaleza e confiança com seu modo peculiar de afagar o pequeno ser. Seu olhar enternecido alegra-se ao contemplar o rostinho cândido do seu rebento. Mesmo com esses gestos rústicos recebemos  todos os cuidados nas horas de enfermidades; o modo brincalhão de ser confunde-se com a rispidez nas advertências e nos conselhos dados querendo, com isso, que evitemos sempre os caminhos impróprios ou as ciladas que os seres humanos aprenderam a colocar nos caminhos de seus semelhantes. Antes mesmo de saber caminhar me ensinou a dar os primeiros chutes em uma bola de futebol. Orgulhoso gritava: “Esse vai ser um craque!” De mãos dadas caminhávamos lado a lado e enquanto fazia várias perguntas sobre tudo o que nos rodeava, ele sorria e pacientemente dava respostas a cada pergunta ingênua que formulava naturalmente sem pensar.  Chegava do trabalho cansado e a mesma pergunta de todo dia era feita: “Como estão as tarefas escolares?” Deixa eu ver!”“. Ficava apreensivo olhando atentamente a  sua séria feição que seguia cada linha do caderno com olhar de mestre. Quando estava tudo certo era bom ,pois, brincávamos até dormirmos exaustos e felizes. Mas às  vezes a palavra “castigo” substituía a extinta palmatória. Era menos doloroso mas terrível de imaginar que ia ficar uma semana sem jogar bola com meus amigos ou passear no fim de semana. A medida que ia crescendo começava a entender o zelo e a atenção que ele exageradamente tinha por mim. Comecei a ver o mundo sob uma ótica mais séria diferente da minha fantasia infanto-juvenil. As coisas ficaram mais ríspidas e seus conselhos ecoavam em meus ouvidos de acordo com a “canção” que ele ensinou. Hoje seus cabelos completamente alvos e seu olhar terno e atento me saúdam quando chego a uma visita surpresa! O abraço é o mesmo, as palavras as de sempre e a velha pergunta: “Tudo bem com você filhão?”. Por respeito e amor continuo  lhe  chamando de “Senhor”. Sei que a vida tem me mostrado várias situações; conheci pessoas diferentes das da sua época, transformações no cotidiano de uma cidade em contínua ebulição; vejo uma modernidade que quer  trucidar deslealmente o seu legado, observo as mudanças dos conceitos sendo paulatinamente deturpados e ocasionando com isso o ensino de uma falsa conduta ética e moral. Tudo bem diferente do que você me ensinou. Sinto a solidez, o significado e a importância da sua presença em minha vida. Continuamos juntos falando a mesma língua. Seguimos por  caminhos diferentes. Hoje sou pai e você avô. Mas o importante e que somos unidos pelo mesmo amor e respeito mútuos e seus ensinamentos ainda norteiam os meus caminhos pela vida a fora.  Feliz Dia dos Pais!

Jucênio

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