quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Quarenta anos por aqui (editorial 09/08/2015)

Moro aqui há exatos quarenta anos e ainda lembro quando este bairro tinha o clima bucólico semelhante a uma pequena cidade interiorana.  Havia poucas casas e o comércio era formado por quitandas e pequenas vendinhas. No loteamento (onde moro até hoje), as ruas eram de barro; não tinha água encanada e as pessoas utilizavam as pequenas fontes para abastecer suas residências. Era lata d’ água na cabeça! Havia luz nas residências e entre os poucos vizinhos da  rua, apenas alguns tinham televisão. Assistíamos todos juntos numa mesma sala aos programas dominicais. Comprava o pão às vezes na mão do homem do balaio. O verde era mais verde e o ar  leve e perfumado   pelas flores silvestres. O campo da bica gerou muita gente boa de bola e o do fim de linha formou profissionais. Era um campo de onze na linha com traves de tamanho oficial.  Vi nascer a Via Regional e o Estádio do Barradão e também vi morrer o campo e a fonte da bica. A população era pequena. Meu pai às vezes andava até a Tabela(Pau da Lima) para pegar o coletivo. Padarias como a Oxagriã de Sr. Rodolfo, a Quadros no fim de linha, o  Abatedouro Daniela e os Mercados: São Miguel, Comal; Olhe Preço e Peti Preço, Edac Materiais de Construção e Dinho do Fim de Linha representavam um comércio forte no bairro.  O baba era jogado nas ruas, no campo e em qualquer espaço pequeno ou ermo; sempre parávamos a bola para a passagem dos mais velhos. Estudei no Afrânio Peixoto e no Eraldo Tinoco. Lembro que no desfile da primavera tinha duelo entre as escolas particulares San Martin (Fim de Linha) e Rosa Vermelha (Loteamento). Procissão da padroeira do bairro na rua principal. Festa de Largo! Queima de Judas e fogueira de São João. Doces recordações de um bairro atualmente bastante modificado. A população aumentou e trouxe também um progresso que extirpou o matagal;  escavou e soterrou a imagem simplória do bairro. Continuo caminhando por este longínquo bairro da Estrada Velha do Aeroporto; vendo as transformações que aconteceram nessas quatro décadas que  aqui habito. Que prédios imensos construíram na entrada do bairro! As ruas transversais não são mais de barro e no fim de linha ainda estão o Instituto São Geraldo, o posto policial e a antiga caixa d’água. A rua da infância mudou! Meus vizinhos mudaram. Minha vida mudou.  Sei que por aqui ainda persistem as carências e o descaso como em qualquer outro lugar suburbano. Contudo, gosto de morar aqui e espero que dias melhores aconteçam porque meus filhos vivenciam hoje uma parte mais urbana e crua não mais  campestre e pacata como já foi outrora o nosso querido bairro.


Por: Jucênio

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