A várzea sempre foi um lugar de grandes emoções
e celeiro de craques. É o reduto dos amantes do futebol; dali saem os sonhos, as
resenhas, os craques, as amizades conquistadas, os segredos da bola e o esboço para
a formação de equipes. Não tão distante desta época em que vivemos
tínhamos equipes que eram formadas por pessoas que realmente amavam o que
faziam (amadores). O técnico quase sempre era o dono da equipe e os
atletas tinham um compromisso com o grupo que defendia. Os jogos eram belos e causava
enlevo pela técnica e garra apresentados tanto nas vitórias como nas derrotas.
O adversário sempre valorizava o resultado. Os garotos que assistiam aos jogos
tinham seus craques modelos. Eles tingiam camisas, pintavam os números com
tinta a óleo, pediam chuteiras emprestadas e quando não achavam o velho “Conga”
do colégio fazia as vezes. Tinha o desafio de uma rua contra a outra no
bucólico campinho de barro com traves de bambu. Formavam-se campeonatos. A emoção saltava aos olhos do grupo vencedor e
contagiava todos que tinham o privilégio de ver aquela festa. Equipes
verdadeiras! Infelizmente hoje tudo mudou. Perdemos em primeira linha os sonhos
do campo da várzea e mesmo com tantos paramentos e vantagens muitos desdenham
este local. A maioria das equipes não são mais formadas pelos amigos da rua e
nem por moradores do bairro e com isso, são perdidos o lema e a história de cada
equipe. A união dos amigos enfraquece e o trabalho em equipe é desfigurado em
face de uma formação desentrosada e com o pensamento voltado apenas para as
vantagens que virão depois de cada partida. Hoje existe até uma pré-negociação
com atletas amadores que exigem o que quer, mas os mesmos não cumprem dentro de
campo o que foi proposto. Aliás, o termo
amadores não se encaixa no perfil destes. Contudo, isso não é um
argumento generalizado, mas acontece na maioria dos casos onde é formado e
preparado o projeto de equipe que tem pretensão ao título. Quem observar
meticulosamente chegará a esta conclusão. Sim, mesmo hoje, ainda existem equipes engajadas e focadas no sucesso e no bem
estar do grupo, entretanto estas tem pelo menos um remanescente da “época de ouro” do futebol de
várzea. A finalidade do que está aqui exposto não é comparar ou querer criar um
modelo de equipes, mas sim lembrar um pouco de um período que tinha equipes
autênticas, com atletas compromissados e que, sobretudo jogava futebol de verdade
sendo estes conduzidos por diretores que tinham conhecimento técnico cabal, amizade
e equilíbrio suficientes para levar o seu grupo ao topo.
Jucênio
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