quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Equipes Amadoras (Editorial 20/09/2015)

A  várzea sempre foi um lugar de grandes emoções  e celeiro de craques. É o reduto dos amantes do futebol; dali saem os sonhos, as resenhas, os craques, as amizades conquistadas, os segredos da bola e o esboço para a formação de equipes. Não tão distante desta época em  que vivemos tínhamos equipes que eram formadas por  pessoas que realmente amavam o que faziam (amadores). O técnico quase  sempre era o dono da equipe e os atletas tinham um compromisso com o grupo que defendia. Os jogos eram belos e causava enlevo pela técnica e garra apresentados tanto nas vitórias como nas derrotas. O adversário sempre valorizava o resultado. Os garotos que assistiam aos jogos tinham seus craques modelos. Eles tingiam camisas, pintavam os números com tinta a óleo, pediam chuteiras emprestadas e quando não achavam o velho “Conga” do colégio fazia as vezes. Tinha o desafio de uma rua contra a outra no bucólico campinho de barro com traves de bambu. Formavam-se campeonatos.  A emoção saltava aos olhos do grupo vencedor e contagiava todos que tinham o privilégio de ver aquela festa. Equipes verdadeiras! Infelizmente hoje tudo mudou. Perdemos em primeira linha os sonhos do campo da várzea e mesmo com tantos paramentos e vantagens muitos desdenham este local. A maioria das equipes não são mais formadas pelos amigos da rua e nem por moradores do bairro e com isso, são perdidos o lema e a história de cada equipe. A união dos amigos enfraquece e o trabalho em equipe é desfigurado em face de uma formação desentrosada e com o pensamento voltado apenas para as vantagens que virão depois de cada partida. Hoje existe até uma pré-negociação com atletas amadores que exigem o que quer, mas os mesmos não cumprem dentro de campo o que foi proposto. Aliás, o termo  amadores não se encaixa no perfil destes. Contudo, isso não é um argumento generalizado, mas acontece na maioria dos casos onde é formado e preparado o projeto de equipe que tem  pretensão ao título. Quem observar meticulosamente chegará a esta conclusão. Sim, mesmo hoje, ainda existem  equipes engajadas e focadas no sucesso e no bem estar do grupo, entretanto estas tem pelo menos um  remanescente da “época de ouro” do futebol de várzea. A finalidade do que está aqui exposto não é comparar ou querer criar um modelo de equipes, mas sim lembrar um pouco de um período que tinha equipes autênticas, com atletas compromissados e que, sobretudo jogava futebol de verdade sendo estes conduzidos por diretores que tinham conhecimento técnico cabal, amizade e equilíbrio suficientes para levar o seu grupo ao topo.

Jucênio

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