Não sabemos ao certo o
que aconteceu. Não temos mais a noção do tempo perdido e também não conseguimos
mensurar acertadamente tudo o que deixamos de realizar. Preciosos minutos
desperdiçados. Dias de luta misturados com outros de farra e fantasia. Ontem
foi o carnaval daqui a pouco será de novo natal e sem viver
verdadeiramente pensamos: parece que foi ontem. O ano novo trouxe novas
promessas, sonhos e perspectivas. Parece que foi ontem! Mas ele também está se
acabando. Alguns meses hoje e daqui a pouco apenas serão alguns dias que nos
separarão de outro ano novo. É vida que segue. Dormimos debruçados em nossa
cômoda indolência. A chuva é tão passageira como os dias de sol e o mar
revolto quebra na praia de forma estrondosa, pois, à noite quem imperará será o
terral! Trabalhamos em busca da realização de nossos sonhos; sonhamos com um
futuro melhor. Todo dia o mesmo dilema: cair na mesmice ou insistir em
acreditar em nosso potencial diante de situações tão adversas? Às vezes agimos
obstinadamente contra nós mesmos. Perdemos alguém que gostávamos muito. Foi uma
passagem. Corremos atabalhoadamente em busca de futilidades que nos soterrarão
antes de vermos a alegria do nascer do sol e a graça do ocaso vermelho
alaranjado. Mudamos de emprego, de casa, de família e de situação. Colhemos o
que plantamos e vivemos saboreando esses frutos sejam eles doces ou amargos.
Ganhamos e perdemos de tudo um pouco. Esquecemos mais uma vez de aproveitar o
que nos é ofertado diariamente. Insistimos em não querer viver ou vivemos sem
noção de tempo, espaço ou qualquer modo livre. Agrilhoamo-nos em
nossa estranha mania de tudo saber e querer. Perdemos o sentido da vida ao lado
dos nossos semelhantes. Nossos amigos se mudaram; nossa praça está
florida em pleno inverno. Ganhamos e perdemos várias vezes e a derrota
nos despertou para buscarmos sempre as vitórias. Os filhos cresceram e os pais
pratearam os cabelos. Ontem e hoje parece tão perto porque não vivemos
intensamente o presente.
Jucênio
Nenhum comentário:
Postar um comentário