sexta-feira, 16 de outubro de 2015

“Não Excelência!” (Editorial 11/010/2015)

Árbitro de futebol  amador. É a figura amada ou odiada na aplicação das regras do jogo. São frações de segundo para decidir! São xingamentos e aplausos após a decisão. Talvez seja o único que não deva errar. Ao chegar ao longínquo campo da várzea todos os olhares se dirige para ele que gentilmente cumprimenta a todos e aos poucos vai paramentando-se para mais uma partida. Aponta o centro do campo e apita: Começa mais uma batalha das muitas já conduzidas. A sua presença em  campo é vista por muitos como: autoridade, disciplinador, tendencioso, chato, omisso, professor, etc. Muitas reclamações do lado de quem está em desvantagem no placar: "Não Excelência!" Mas quando os placares mudos ouvem: "Beleza professor!". E nesse ritmo ele vai desenvolvendo o seu trabalho sob olhares atentos e tensos. Ele não pode aparecer! Ele sabe que só será notado por todos se porventura acontecer algum erro. Conduz seu jogo munido de seus conhecimentos que a maioria ali presente não tem. De repente ele apita e aponta para a "marca da cal". Lance polêmico! Todos os cercas! Cartões sobem ao ar. Todos se acalmam.  A torcida esgota todo o seu vocabulário de palavrões. O banco de reservas se desespera! Mas ele, firme em sua decisão, autoriza a cobrança. O atacante faz o gol: mais reclamações e xingamentos. Sob protestos ele calmamente anota tudo em sua caderneta! A partida fica tensa e seu olhar fica mais serio. O jogo volta ficar empatado. A poeira sobe sob sol escaldante. Ele corre acompanhando cada lance. Mesmo assim ele é menos notado do que a bola. A sua decisão faz todos lhe dirigirem os olhares. Ele levanta a mão e sinaliza: quatro minutos de acréscimos. É como se aquela mão amaldiçoasse ou abençoasse! Nada mais para acrescentar e a mesma mão aponta para o centro do campo seguida de um silvo altissonante. De um lado protesto e do outro aperto de mãos. Lavra a sua súmula e se despede com palavras amistosas e segue seu caminho para outro campo de batalha com a sensação do dever cumprido e com a certeza de quem deu o melhor de si naquela conturbada partida. Enquanto caminha ele é seguido por alguns olhares curiosos e incertos. Fica no ar a pergunta: será que o árbitro de futebol amador é um ser humano passível de erro?

Jucênio

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