quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A Saga de um povo (editorial 15/11/2015)



Mãos brancas empunhando armas. Mãos perversas e pensamentos inescrupulosos. Arrancaram a ferro e fogo os filhos dos braços de uma mãe. Chorou  a mãe África e de suas lágrimas surgiriam filhos guerreiros e cultura diversificada que foi imitada por vários povos. O sofrimento ainda é sem fim. Viagem trágica, contra a vontade de quem corria livre nas estepes como os antílopes! O banzo era o sentimento do filho órfão nos porões da crueldade sem fim!  A chegada a um mundo estranho e pálido gerou medo e incerteza. Eles não aceitaram a escravização, mas a opressão e a brutalidade impostas forçosamente não lhes deixaram outra escolha. O choro enraivecido e o  coração humilhado. O suor e o sangue caíam  sob várias chicotadas....o açoite era o atestado da imensa covardia! Mas o coração guerreiro não aceitava  o jugo! Houve a fuga. Ouviram passos...era Zumbi em meio ao matagal cerrado correndo descalço e ofegante! Negros fugidos fundaram aldeias. Apesar da resistência muitos foram destruídos junto com seus lares. Mas não conseguiram destruir o seu legado cultural! Com todos os revezes da vida ainda tinham tempo de expressar a sua cultura desde o canto melancólico ao lembrar-se de sua pátria mãe, passando pelos rituais e culminando nas músicas e danças alegres que emanassem do ambiente lúgubre do interior da senzala. A cultura africana buscava expansão. Vieram as Leis e a felicidade foi geral!! E o futuro??? Mesmo sem o chicote e o tronco extintos aparentemente, ficaram as cicatrizes registradas para posteridade e mesmo assim prevaleceu um ranço maligno carregado de preconceitos diversos, faltas de oportunidade e reconhecimento pelo trabalho que gerou o progresso que sustenta até hoje a nação. Quando observamos a segregação racial, as favelas, as discriminações em suas várias formas e situações concluímos que a escravidão ainda impera e, toda escravidão só será banida com a conscientização do valor interior de cada um. A nossa indolência interior permite a escravização! A luta continua! A mãe África empobrecida e usurpada vê com orgulho seus filhos que lutaram, resistiram e sobreviveram; mesmo ferida ela olha para seus filhos expatriados que o mundo aprendeu a chamar de afro descendentes e faz uma prece por todos que acreditam no sonho de liberdade. Não permitamos que as pessoas sejam avaliadas pela cor da pele e sim, por suas capacidades e qualidades que precisam ser desenvolvidas. É preciso que a sociedade respeite os direitos do ser humano independente da cor da pele e que as cicatrizes deixadas pela história sirvam de lição para todos! O valor do negro é o valor do ser humano livre.
Jucênio

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