quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um domingo com o campeonato (Editorial 03/07/2016)



É  cedo; manhã fria de domingo e os operários da Liga  se juntam aos poucos voluntários para dar início à metamorfose do lugar que será ocupado pelos "gladiadores"  do mundo do futebol amador ou como todos costumam a falar: futebol de várzea.  Aos poucos o local vai ficando apresentável e o corpo e o rosto  sujo de cal mostra o quanto a seriedade e abnegação também entrará em campo ajudando a mudar  aquele simplório campo para a configuração de  uma verdadeira  arena. Aos poucos chegam os atletas sem muita  pompa, mas com muito futebol e sonhos na bagagem. Aqui  todos sonham:  O torcedor sonha com o título;  o comerciante sonha com boas vendas  e  um freezer novo. E afinal o que sonha o pessoal da organização do campeonato? Será que eles têm  tempo e direito pra isso? Enfim, tudo pronto. Hoje serão  dois jogos e eles chegam: o público. Eles também têm sonhos.  Apita o árbitro e a  bola rola; fora do campo as  apostas,  provocações  e também os sonhos  se misturam.  Os olhos atentos seguem cada lance. O  sol aparece  entre nuvens. Hoje deu muita gente. O jogo é bem disputado. Apita o árbitro e desta vez ninguém ganhou. A equipe da Liga remarca o campo para a segunda partida. Recomeça tudo de novo. A partida segue, mas o gol não sai e dá tempo para  o garoto do placar  e os  gandulas sonharem que um dia eles também jogarão neste campeonato. Atentos, os seguranças esquecem os seus sonhos  por  um largo lapso de  tempo. Sai o gol. Finalmente! E entre gritos de alegria e de protesto segue a partida. Tudo é filmado e registrado  tanto pelas lentes dos  nossos colaboradores como pela memória das pessoas  presentes que um dia contarão aos netos como era este campeonato. Fim de mais uma partida. O time visitante venceu. O árbitro lavra a súmula. Aos poucos todo aquele aparato que transformou um humilde campo em um lugar de devaneios, risos e lamentações é retirado e acondicionado no canto ermo de um armazém. O público presente comenta, ri, bebe uma cerveja bem gelada e degusta um espetinho conversando com novas e velhas amizades. Gente bonita, galera  alegre que mostra com o  seu sorriso  os intermináveis minutos de acréscimos após um jogo de futebol amador em seu bairro. Realmente aqui um domingo com campeonato é bem diferente. 

Jucênio

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